0# CAPA 24.6.15

ISTO
edio  2377 | 24.Jun.2015

[descrio da imagem: fundo da capa em preto e no centro foto do presidente do senado Renan Calheiros, aparecendo de perfil.]
A PROPINA DE RENAN
Inqurito da PF acusa o presidente do senado de receber R$ 30 milhes desviados de fundos de penses.

[outros ttulos: parte superior da capa]
NAS CORDAS
TCU d prazo de 30 dias para Dilma explicar pedaladas e reacende debate sobre o impeachment da presidente

INFNCIA TARJA PRETA
Cresce o uso infantil de remdios contra transtornos psiquitricos.

_______________________

1# EDITORIAL
2# ENTREVISTA
3# COLUNISTAS
4# BRASIL
5# COMPORTAMENTO
6# MEDICINA E BEM-ESTAR
7# ECONOMIA E NEGCIOS
8# MUNDO
9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE
10# CULTURA
11# A SEMANA
_____________________________


1# EDITORIAL 24.6.15

"NO LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

 chegada a hora da verdade para o Governo. De maneira firme e sem rodeios, o Tribunal de Contas da Unio (TCU) estabeleceu um prazo de 30 dias para que a presidente Dilma faa pessoalmente uma defesa das manobras contbeis e pedaladas fiscais cometidas por sua gesto no gasto pblico.  a primeira vez na histria que um mandatrio se encontra nessa situao, convocado a responder diretamente por atos gritantemente ilegais. Se o TCU, aps o perodo concedido para as explicaes oficiais, rejeitar as contas, a presidente poder ser enquadrada por crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO). Caber ao Congresso aceitar o parecer do TCU e autorizar a Procuradoria Geral da Repblica a fazer a denncia. Nessa situao, a presidente ser automaticamente afastada do cargo por 180 dias  uma vez que ela no pode ser investigada de posse das prerrogativas presidenciais  e estar assim aberto um caminho efetivo para o pedido de impeachment.  fato que inmeros artifcios oramentrios foram praticados para turbinar projees de receita e maquiar despesas, camuflando o real estado do balano patrimonial da Unio. Os truques e fraudes j evidenciados so de toda ordem. Entre eles o atraso sistemtico para os bancos estatais do repasse de recursos que eram destinados a programas sociais como o Bolsa Famlia. Os bancos acabaram arcando com esses pagamentos, o que configurou uma espcie de emprstimo ilegal - j que so proibidas operaes de crdito entre instituies pblicas e o seu controlador. Da mesma maneira, o Governo recorreu a uma manipulao vergonhosa em 2014 para aumentar suas despesas em mais de R$ 10 bilhes alm do aprovado no oramento e da arrecadao realizada, o que tambm  proibido, segundo o TCU. Tudo com o intuito de fechar artificialmente as contas e garantir assim a reeleio. Um acintoso descalabro que foi registrado em relatrio pelo Ministrio Pblico: A Nao assistiu a uma verdadeira poltica de irresponsabilidade fiscal para favorecer interesses da presidente em ano eleitoral, apontou o procurador Jlio Marcelo de Oliveira. No total, 13 transgresses oramentrias esto relacionadas pelo TCU (curiosamente, o mesmo nmero do PT), que devem ser explicadas por Dilma Rousseff.  um festival de arbitrariedades que foi classificado por seus assessores como mera contabilidade criativa. D-se o nome que quiser, mas parece cada vez mais difcil a presidente escapar da iminente concluso dos senhores ministros do Tribunal de que houve prtica de ilcitos na guarda e emprego do dinheiro pblico. A desfaatez e a petulncia com as quais o Governo cometeu essas infraes s so possveis em virtude da sensao de impunidade entre os que comandam a mquina. O mesmo Governo que durante a campanha propagandeou a reduo na conta de luz, em nome do marketing eleitoral, e depois implodiu com o sistema, promovendo a seguir um reajuste de mais de 70% na conta do consumidor final, tentou, de maneira prepotente, desmoralizar leis que foram consagradas como exemplos de disciplina financeira para a Federao. As violaes sero agora julgadas e, se no ocorrerem injunes polticas indevidas por parte de aliados, penalizadas no rigor da Constituio.
_______________________________________


2# ENTREVISTA 24.6.15

PAULO CESAR DE ARAJO - "ROBERTO CARLOS NO VIVE NO NOSSO MUNDO"
Autor de livro sobre o cantor, que acaba de vencer a batalha das biografias no STF, diz que no guarda mgoas e prepara nova obra sobre o artista
Por Paula Rocha 

VITRIA - Arajo, protagonista do maior embate recente na cultura nacional

O escritor Paulo Cesar de Arajo, de 53 anos,  um dos protagonistas do maior embate recente da cultura brasileira. Em 2006 ele lanou Roberto Carlos em Detalhes, primeira biografia do cantor mais popular do Brasil. A obra no contava com a autorizao do Rei. Ameaado de priso por Roberto por infligir o direito  privacidade do msico, Arajo foi forado a assinar um acordo judicial que retirou a biografia das livrarias.

"Caetano ( dir.) e Gil me decepcionaram mais do que o Roberto"

Agora, com a recente deciso do Supremo Tribunal Federal (STF), que eliminou a necessidade de autorizao prvia para a publicao de trabalhos biogrficos, Arajo planeja lanar um novo livro sobre o artista. Nessa conversa com ISTO, esse baiano de corao, mas paulista de nascena, fala sobre sua nova obra, a decepo que sentiu com figuras da MPB como Gil e Caetano e sobre sua relao com o Rei, de quem ele garante no guardar mgoas.

"Roberto acredita que eu cometi um furto ao me apropriar da histria dele, mas no compreende que ele  apenas um tema, assim como ele usa Jesus como tema de suas canes"

Isto - O sr. nunca fala de Roberto com ressentimento. Como fica a admirao por ele depois de toda a batalha entre vocs?

Paulo Cesar de Arajo - Minha admirao pelo Roberto vem da infncia, aquela admirao mais genuna e sincera. Roberto era meu dolo, eu cresci ouvindo as canes dele. Quando entrei na faculdade de comunicao social, comecei a pesquisar a msica brasileira e, aos poucos, fui tentando me aproximar de Roberto. Tentei entrevist-lo, mas no consegui. Entrevistei Caetano, Chico, Djavan, e no conseguia entrevistar o Rei. Ele nunca disse no, nunca disse que no iria me conceder uma entrevista. Mas os assessores dele sempre diziam que ele estava ocupado gravando, viajando, rezando. E assim se passaram quinze anos. Passei a compreender esse artista, suas limitaes, suas contradies. Meu livro  minha verso sobre RC. No me preocupei se ele ia gostar ou no. No fiz o livro para ele, como um f. Fiz porque identifiquei uma lacuna, o artista mais popular da msica brasileira no havia sido tema de livro ainda. 

Isto -  difcil separar o dolo do censor? 

Paulo Cesar de Arajo - Minha identificao com Roberto sempre foi atravs da msica. Nunca tive maiores identificaes com a pessoa dele. Por exemplo, ele  supersticioso, eu nunca fui. Ele  religioso, eu sou agnstico. Ele  Vasco, eu sou Flamengo. Ele adora carros, eu nunca gostei de carros, nem sei dirigir. Esse episdio das biografias  apenas mais um momento em que eu e Roberto estamos em campos opostos. Eu sempre me identifiquei mais com Caetano, com a postura libertria dele e de Gil. Nesse sentido, Caetano e Gil me decepcionaram mais do que o Roberto (por tambm apoiarem as biografias autorizadas). Eu entendo o Roberto e, sinceramente, no tenho mgoas, s lamento o que aconteceu, por mim e por ele. Uma histria to linda como a dele no precisava de um captulo desse. 

Isto - Na quarta-feira 17, a editora Record anunciou que ir publicar uma nova biografia de Roberto Carlos de sua autoria. Trata-se do relanamento de Roberto Carlos em Detalhes, livro retirado de circulao aps um acordo entre o sr., o cantor e a Editora Planeta?

Paulo Cesar de Arajo - No, vou lanar uma nova biografia. Eu estudo a MPB e a vida de RC desde 1990, por isso tenho muito material. Nunca deixei de pesquisar os dois temas, mesmo depois do lanamento de Roberto Carlos em Detalhes, em 2006. Todas as informaes que colhi at hoje me permitem fazer mais de um livro sobre o Roberto. RC  uma das figuras mais importantes da msica brasileira, que influenciou geraes de artistas. S um livro sobre ele seria pouco. E muita coisa aconteceu desde 2006. Nessa nova biografia, vou incluir tudo o que ocorreu de l para c na vida do Rei, a campanha de Roberto contra as biografias no autorizadas, as msicas que ele lanou. Acabei de fechar esse acordo com a Record e ainda precisamos discutir os detalhes. Mas a ideia  essa: em 2016 vou lanar mais uma biografia do Roberto.

Isto - Na mesma semana do anncio de seu novo livro, o empresrio de Roberto Carlos, Dody Sirena, declarou que o msico lanar sua aguardada autobiografia, em comemorao a seus 75 anos, completados em abril de 2016. Como essa notcia afeta sua nova biografia?

Paulo Cesar de Arajo - Fao questo de esperar que a obra dele saia, pois pretendo usar a autobiografia de Roberto como mais uma fonte de pesquisa para o meu livro. H mais de duas dcadas o Brasil aguarda a autobiografia do Rei. Desde os anos 90 ele diz que vai lanar uma autobiografia e eu espero por esse momento ansiosamente. Acho importante que grandes personagens contem a sua verso dos fatos. Isso s enriquece a histria do Pas e contribui para a nossa memria. O erro  querer que exista apenas a verso oficial, como o movimento Procure Saber (que reuniu figures da MPB como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil) desejava. 

Isto - Como ficou a situao de Roberto Carlos em Detalhes aps a deciso do STF?

Paulo Cesar de Arajo - A situao do livro ainda est indefinida. Ainda estou ouvindo minha advogada e juristas para saber como agir. O acordo judicial entre RC, a Editora Planeta e eu foi um caso to singular que os prprios juristas no tm uma opinio definitiva sobre ele. Mas eu, de fato, no tenho pressa de resolver isso. J me considero vitorioso pela deciso do STF. A derrubada da obrigatoriedade de autorizao prvia para obras biogrficas foi uma vitria de todos ns, da liberdade de expresso, da sociedade brasileira. O direito no  uma cincia exata, mas sim, interpretativa. 

Isto - Como o sr. imagina que Roberto tenha reagido  deciso do STF?

Paulo Cesar de Arajo - Ele sempre foi muito enftico em relao  censura prvia de biografias e batalhou de forma violenta contra o meu livro. Inmeras vezes ele disse que era dono da prpria histria e, por isso, s ele poderia escrev-la. O Roberto acha que tem a posse da histria, assim como tem a posse de um imvel, um automvel, um iate. Ns sabemos que a histria  um patrimnio imaterial construdo coletivamente, mas na cabea dele, e estimulado pelos assessores que o cercam, ele acredita que a histria  um patrimnio particular. O Roberto vive numa redoma de sucesso e poder. Ele no vive no nosso mundo do cotidiano. Ele recebe tudo filtrado dos assessores. E eu no sei se esses assessores passaram para o Roberto o que de fato aconteceu ali (no julgamento do STF). A tese dele perdeu de nove a zero. Se ele teve acesso ao que de fato aconteceu, no deve ter ficado feliz. 

Isto - Em mais de uma ocasio, Roberto disse se opor ao fato de o bigrafo lucrar  custa de histrias pessoais. Como o sr. responde a essa alegao?

Paulo Cesar de Arajo - Roberto acredita que eu cometi um furto ao me apropriar da histria dele, mas no parece compreender que ele  apenas tema de um livro, assim como ele usa Jesus como tema para algumas de suas canes. Para RC, Jesus  patrimnio coletivo, mas a histria do prprio Roberto  particular. Ele tambm j chegou a dizer que os bigrafos se apropriam de uma histria pronta, j escrita, como se no houvesse pesquisa, anlise, seleo de fatos. Escrever biografia no  fcil. So anos de pesquisa, gasta-se muita sola de sapato. Roberto no tem ideia do que  o trabalho de um bigrafo. Parafraseando Djavan, s eu sei as esquinas que passei para escrever cada pargrafo de Roberto Carlos em Detalhes. No conheo ningum que sobreviva de fazer biografias. Viver de livro no Brasil  muito difcil. Pago as contas no fim do ms com meu salrio de professor. 

Isto - Como o sr. encarou o movimento Procure Saber?

Paulo Cesar de Arajo - O Brasil ficou surpreso e estupefato. Veja o caso do Caetano. Um libertrio, um homem de vanguarda, uma das maiores inteligncias da cultura brasileira. O cara que escreveu Proibido Proibir e que havia se manifestado contra a proibio do meu livro por RC. Como ele foi aderir a uma causa to obscurantista e retrgrada como essa? Isso foi um choque. Ningum sabia que dentro desses artistas, como Caetano, Chico e Gil, poderia haver um pensamento como esse, num momento de avano da sociedade brasileira. Nos anos 70, quando a sociedade era mais conservadora, esses artistas se revelaram de vanguarda, contra a censura. E em pleno 2013 fazem isso? Roberto Carlos no surpreendeu porque j vinha fazendo isso. J havia censurado outros livros e at processado jornalistas, como o Ruy Castro. E Chico? Chico chegou quele ponto de me acusar de no ter feito entrevista com ele. A sociedade foi ouvir os argumentos desses artistas e encontrou um discurso vago, contraditrio, sem p nem cabea, que s poderia dar no que deu: a imploso do Procure Saber. O grupo abandonou a causa das biografias no autorizadas quando viu que no teve o respaldo que eles esperavam. 

Isto - O sr. acredita que a polmica em torno do grupo Procure Saber contribuiu para a queda da obrigatoriedade de autorizao prvia para biografias? 

Paulo Cesar de Arajo - Sem dvida. A lambana que foi a manifestao do Procure Saber trouxe benefcios para ns, bigrafos. Artista erra por se sentir o todo poderoso, por achar que todo mundo vai aplaudir tudo o que eles fizerem. Acho curioso eles no pensarem que o veto s biografias no autorizadas poderia se tornar um captulo na prpria histria deles. Biografias futuras vo citar que a elite da MPB, em determinado momento, teve essa postura obscurantista. 
____________________________________


3# COLUNISTAS 24.6.15

     3#1 RICARDO BOECHAT
     3#2 LEONARDO ATTUCH - NOS ESTERTORES DA LEI ROUANET
     3#3 GISELE VITRIA
     3#4 ANTONIO CARLOS PRADO - ELVIRA, BRASILEIRA, PROFISSO: CANSADA
     3#5 BRASIL CONFIDENCIAL

3#1 RICARDO BOECHAT
Com Ronaldo Herdy 

Faz de conta
O esforo do Planalto para criar uma agenda positiva para Dilma Rousseff tem novo captulo com o lanamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar nesta segunda-feira 22. O ministro Patrus Ananias anunciar mais crdito para o setor (33% do PIB agrcola), porm, o real montante que chegar ao pequeno agricultor em dois anos depende muito do ajuste das contas pblicas. O fim do registro, inspeo e fiscalizao de produtos de origem familiar est entre as medidas oficiais, assim como constou de outro pacote, h exatos dez anos  e nada aconteceu.

Judicirio
 Vitria do consumidor
 Na semana passada, ao editar seus novos recursos repetitivos, o STJ marcou gol de placa. A partir de um processo (1.372.688) sobre expurgos inflacionrios de planos econmicos editados de 1986 a 1994 ficou pacificado que cabe correo monetria ao investidor  no juros remuneratrios   do incio da ao ao fim da obrigao de pagar. A deciso dos ministros das 3 e 4 turmas, a partir de agora, tem que ser seguida pelos tribunais de justia e demais tribunais regionais federais.

Infraestrutura
 Para depois
 Com a piora da Bolsa de Valores, a Invepar adiou sine die a oferta inicial de aes (IPO) que faria este ano. Dona do metr do Rio de Janeiro e do Aeroporto de Guarulhos (SP), a empresa tem como uma de suas acionistas a construtora OAS, sob investigao na Operao Lava Jato.

Rio de Janeiro
 Saram na frente
 Se a eleio para a Prefeitura do Rio fosse hoje a disputa entre os senadores Marcelo Crivella (23%) e Romrio (15%) seria intensa, talvez exigindo um segundo turno. Foi o que revelou pesquisa de voto para a sucesso de Eduardo Paes, feita pelo Instituto Gerp, no incio de junho, com 400 eleitores. O candidato do PMDB (Pedro Paulo) pode avanar, segundo o cientista poltico Gabriel Pazos, se as obras para as Olimpadas terminarem bem. Hoje, ele tem modestos 2%. A Gerp manter as sondagens no Rio de Janeiro e abrir frentes em Belo Horizonte e So Paulo.

Futebol
 Entre amigos
 Uma vaquinha corre em So Paulo, a boca pequena, para captar recursos destinados  defesa de Jos Maria Marin, preso na Sua desde 27 de maio, acusado de receber propinas em negociaes com a CBF. O cartola  o primeiro vice-presidente do PTB paulista, da a suspeita de que a iniciativa partiu de dirigentes locais da legenda. Um empresrio ligado ao partido e  CNI, porm, admite que foi abordado e negou-se a doar. Marin certamente tem dinheiro suficiente para bancar os prprios advogados.

Bahia
 Acabou em barganha
 Caiu o ltimo bastio. Na segunda-feira 22 comea a cobrana de estacionamento nos shoppings de Salvador. A capital baiana era a ltima no Pas a exigir gratuidade dos estabelecimentos. Capitulou. Um acordo assinado entre a prefeitura e a associao desses centros obrigar os motoristas a meterem a mo no bolso, em troca de obras na cidade oradas em R$ 150 milhes, em trs anos.

Governo
 Mudana limitada
 O tema da palestra do vice-presidente Michel Temer, na reunio-almoo do Instituto dos Advogados de So Paulo na sexta-feira 19, deu bem a dimenso de como ele avalia a misso que recebeu de Dilma Rousseff em abril, de aproximar o Executivo e o Legislativo: A reforma poltica possvel. Cada associado pagou R$ 200 para ouvir o blblbl.

Emprego
 Gravata vermelha
 Uma reunio na quarta-feira 17 deu ao ministro do Trabalho, Manoel Dias, a dimenso de drama a caminho de Curitiba. A vice-prefeita Kelen Vanzin levou a Braslia projeo de que a venda do HSBC pode gerar 7 mil demisses na cidade  seis mil pessoas perderam emprego na cidade este ano, devido  crise econmica. O problema se agrava j que o banco responde por um tero da arrecadao anual do municpio. Com apoio de sindicatos, de entidades de classe e da sociedade, a prefeitura tenta salvar os bancrios da iminente degola.

Congresso
 Teste de inteligncia
 Os leitores mais atentos identificaro, de cara, de quem  o carequinha ao lado. Reconheceram? Pois . De Renan Calheiros. A imagem foi captada pela TV Senado. De frente, o senador parece cabeludo. O deserto capilar no alto do cocuruto do poltico alagoano mostra que aquele tratamento milionrio no Recife, feito nas asas do jatinho da FAB, est mais atrasado que o pensamento do deputado Eduardo Cunha, mais improdutivo do que o do ministro Joaquim Levy e mais fracassado do que o do ex-bilionrio Eike Batista. Se Renan decidir retornar ao Recife, para refazer o tratamento, que pelo menos use um voo comercial...

Direitos Humanos
 Foco nos presdios
 Duas diferentes misses da ONU viro ao Brasil em intervalo de dois meses, com a mesma finalidade. Em agosto, o relator especial das Naes Unidas sobre a Tortura, Juan Mndez, chega para apurar denncias de torturas em presdios das regies Norte e Nordeste,  no contexto de crimes contra a humanidade. J em outubro  a vez Malcom Evans, presidente do Subcomit para a Preveno da Tortura. Os dois organismos so vinculados ao Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra.

Histria
 Por um triz
 Agora Erasmo Carlos lana Meus Lados B, pelos 50 anos da Jovem Guarda, est na hora de saber que o Tremendo poderia ter ouvido mais que o som da sua guitarra nos anos da ditadura militar. Documento confidencial da Delegacia Regional de So Paulo, da Polcia Federal, de novembro de 1970, evidencia que naquele ano o msico esteve na mira de um militar que queria levar Erasmo para o Destacamento de Operaes de Informaes (DOI-CODI), inconformado por ele saudar o pblico com o punho esquerdo erguido,  moda dos militantes da esquerda.

CBF
 Fora, j!
 A renncia imediata de Marco Polo Del Nero da presidncia da CBF ganha corpo no Senado Federal. O movimento  encabeado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Caso o cartola insista em ficar, diz o poltico, acabar surgindo no Pas uma liga de futebol independente, como na Europa. Chega de bola no mundo da bola, repete em sua peregrinao pelo Congresso e a favor da causa.

Operao Zelotes
 Muitas baixas
 A CPI do CARF planeja ouvir todos os conselheiros sobre os desvios em apurao pela Polcia Federal, na Operao Zelotes. O problema  que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde o contribuinte tem o direito de contestar multas cobradas pela Receita Federal, tem mais de 200 membros. Ou seja, haja tempo e papel para tanto. Enquanto isso cresceu muito o nmero de vagas no conselho. Por trs das renncias em massa dos advogados est a deciso da OAB, de proibir a advocacia para quem tem assento no rgo.


3#2 LEONARDO ATTUCH - NOS ESTERTORES DA LEI ROUANET
Alm da renncia fiscal, o governo gasta mais de R$ 300 milhes ao ano para subsidiar interesses privados.

Conhecido por frases fortes, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, se prepara para liderar uma boa briga: o fim da Lei Rouanet, que ele classifica como o ovo da serpente do neoliberalismo no Brasil. Criada no governo Collor pelo ento ministro Sergio Paulo Rouanet, a lei visava incentivar a produo cultural, permitindo que empresas abatessem integralmente do Imposto de Renda seus gastos com patrocnios a espetculos de msica, dana, teatro e assim por diante.

Nos ltimos anos, a renncia fiscal tem-se situado ao redor de R$ 1,5 bilho. No entanto, pela primeira vez, o Ministrio da Cultura decidiu levantar quanto custa a mquina pblica que gravita em torno da Lei Rouanet. So outros R$ 300 milhes por ano, gastos no apenas na anlise dos pedidos, mas tambm no acompanhamento dos projetos, depois que os recursos so captados.

Este no seria um problema grave se a poltica de financiamento cultural atendesse apenas a interesses pblicos. No entanto, com o passar dos anos, a Lei Rouanet foi sequestrada por foras privadas. Mais precisamente, segundo Juca Ferreira, pelos departamentos de marketing das grandes empresas. Na prtica, para os empresrios, criou-se o melhor dos mundos. Sem pagar nada, posam de mecenas e conseguem associar suas marcas, valorizando-as significativamente, a nomes de artistas j consagrados  e, na maioria dos casos, cobrando ingressos carssimos do pblico.O problema central no reside na anlise dos projetos. Em geral, o Ministrio da Cultura pesa fatores como a

diversidade cultural, regional e tnica do Pas. No entanto, na hora de definir o que merece ou no patrocnio, a deciso  das empresas. Resultado: altssima concentrao no Sudeste, e pouqussimo incentivo  produo cultural de novos artistas.

Para mudar esse quadro, o Minc ir propor a criao de um fundo, que aprovar no apenas os projetos, mas tambm os patrocnios. Com isso, o Brasil poder substituir o mecenato privado com dinheiro estatal por uma poltica efetivamente pblica de financiamento cultural. Espera-se que o Congresso escute o que Juca tem a dizer.


3#3 GISELE VITRIA
Gisele Vitria  jornalista, diretora de ncleo das revistas ISTO Gente, ISTO Platinum e Menu e colunista de ISTO 

A verdade secreta
Na contramo da rejeio  Babilnia, a novela das 23h Verdades Secretas est dando o que falar. Seja a abordagem da histria de Walcyr Carrasco sobre a moda, o elenco que mixa estrelas, novatas e tops ou at o derrire de Rodrigo Lombardi. E a verdade secreta da trama da Globo j comea a vir  tona: Turbinar Grazi Massafera, que surpreende na pele de Larissa, com boas crticas. Verdades Secretas  uma novela feita para Grazi brilhar. 

***
Estou feliz. O papel, apesar de pequeno,  forte e estratgico. Daqui para o fim da novela, a Larissa vai chegar ao fundo do poo com as drogas pesadas, diz ela. J tive que perder uns quilos, mas terei que emagrecer mais. O desafio de ter um papel dramtico e a escolha para representar o elenco numa entrevista ao Fantstico no foram  toa. O prprio Walcyr Carrasco cantou a bola: Grazi ainda vai ser uma das melhores atrizes desse Pas. 
 ***
No paralelo, a loira s tem a celebrar com contratos publicitrios. Abocanhou a nova campanha da marca de lingeries italiana Intimissimi. Gosto de calcinhas maiores, com o bumbum coberto e detalhes em rendas e transparncias. So minhas favoritas. Solteira at revelar um novo romance, Grazi no anda satisfeita com o corpo. Depois que terminar de gravar, volto  musculao para engordar um pouquinho. Gosto de ficar com o bumbum maior e mais durinho.

Negcios  vista
O empreendedor Carlos Wizard Martins, hoje dono da rede Mundo Verde e scio de Ronaldo na Ronaldo Academy, tem um encontro marcado na prxima semana com o empresrio e poltico norte-americano Mitt Romney, ex-candidado  presidncia dos Estados Unidos pelo Partido Repblicano e ex-governador de Massachusetts. Wizard, que assim como Romney,  mrmon, participar do encontro anual de investidores do fundo e investimentos Solamere, gerido pelo norte-americano. O fundo vem obtendo retorno anual entre 25% e 40% nos ltimos anos.

George, a cereja do bolo
O Tropping the Coulour, evento oficial da monarquia britnica que festejou o aniversrio de 89 anos da Rainha Elizabeth II, teve a sua cereja do bolo: Baby George, no colo do pai, o Prncipe William, fez sua primeira apario na clssica cena da famlia real na sacada do Palcio de Buckingham. O pequeno prncipe usava a mesma blusa que William vestiu em 1984, no colo do pai, Prncipe Charles, informou o Twitter da residncia oficial de William e Kate Middleton. Apesar dos rumores de um divrcio nas pginas de tablides, o prncipe Charles e a duquesa da Cornualha, Camilla Parker Bowles, estavam juntos e plcidos, como num conto de fadas para a multido de ingleses ver.

Jerusalm Reality 
O batizado de North West, filha de Kim Kardashian e Kanye West, aconteceu em abril, mas as cinco fotos inditas compartilhadas pela socialite na catedral St. James, em Jerusalm, renderam quase 4 milhes de likes em seu instagram. No me lembro de ter postado essas fotos em Jerusalm, escreveu ela. Usando vu nas imagens, Kim citou a emoo de batizar a filha de dois anos na igreja armnia.Batizar North em Jerusalm com o nosso novo beb na minha barriga foi to especial., disse a estrela do reality show Keeping up with Kardashian. 

Revivendo o Alvorada 
Para comemorar seus 84 anos na quinta-feira 18, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voou para o Rio e escolheu cantar parabns com a famlia no restaurante de Roberta Sudbrak, sua ex-chef de cozinha no Palcio do Alvorada. Em clima de crise no Pas, fazer festa no estava nos planos. FHC quis jantar com a mulher, Patrcia Kundrat, os filhos e os netos. Com os pratos de Sudbrak no Jardim Botnico, reviveu os tempos de presidente no Alvorada.

Com humor
Ela agora faz par com Tom Cavalcante. Camilla Camargo acaba de estrear com o comediante o humorstico #PartiuShopping, no Multishow. Apesar de no ter experincia no humor, fiquei feliz quando passei no teste.  difcil, mas quando nos divertimos em cena, fica tudo mais fcil. Mas nem por isso  mais fcil que drama!, diz ela  revista Plstica e Beleza, da qual  capa. O corpo perfeito no  s obra da natureza. Sempre fiz atividade fsica: capoeira, tae kwon do, dana, basquete, futebol. Este ano a atriz estreia com Caio Castro no filme Travessia. E volta ao teatro com a pea Caros Ouvintes.


3#4 ANTONIO CARLOS PRADO - ELVIRA, BRASILEIRA, PROFISSO: CANSADA
Ela acha que a disparada dos valores da tarifa de luz merece uma operao Lava Rpido.

Se Aladim no fosse fbula mas personagem real, com certeza o governo federal iria tarifar a lmpada maravilhosa. Gostei e ri dessa frase, 
 ri para no chorar diante da disparada dos valores da conta de luz  o consumo de energia no Brasil ficou R$ 3 bilhes mais caro no primeiro semestre desse ano e, segundo a Agncia Nacional de Energia Eltrica, os nmeros continuaro rumo  estratosfera. A tal frase de que gostei, eu ouvi de uma amiga, na verdade mais conhecida que amiga, com a qual converso quando passo no lava rpido em Santa Ceclia, prximo ao ponto do txi que me leva ao trabalho  talvez eu seja o nico paulistano que no tenha carro e nem dirija a entrar num lava rpido para um simples bom dia. Voltando  luz, a minha amiga constatou que, dia sim, dia no, saem notcias ruins sobre a energia. Ela uniu os pontos do que leu e no gostou do desenho que eles formaram: atrasos em obras de geradoras e distribuidoras causaram um prejuzo de quase R$ 9 bilhes, e novas majoraes esto previstas para o segundo semestre na casa dos 43%. Gostou menos ainda quando entendeu um dos principais motivos de tudo isso.

Antes de eu contar a explicao que ela me deu, nada mais justo do que apresent-la melhor ao leitor: chama-se Elvira Cansada, deixando claro que Elvira  nome de verdade e Cansada  sobrenome que se autoatribuiu quando certa vez botou a maior f numa mega sena acumulada e eu lhe falei do cronista, compositor e locutor esportivo Antonio Maria, que se definia como brasileiro, profisso: esperana. Ela me respondeu ento eu sou a Elvira Cansada, a coisa pegou, e acho que  da esperana que Elvira cansou. A moa trabalha no lava rpido enfiada em macaco cenoura e botas de borracha preta, e irradia jogos de futebol imaginrios enquanto esguicha carros (acha que a CBF precisa de uma operao que ela chamaria de Lava Jato e Rpido). Guarda notcias de revistas e jornais que l comeando sempre pela ltima pgina, e  fcil saber se sua cabea est no polo da alegria ou no do mau humor  se mal humorada,  eu passar e ela gritar vontade de espreguiar na esquina, sem que eu saiba at hoje o que isso significa. Seus finais de semana, Elvira classifica como oqueizinhos, normais e sensacionais  e nisso contam as notcias.

Elvira ficou injuriada quando, na semana passada, se viu a Aneel e o Ministrio de Minas e Energia trombando no escuro: garantiu-se na Esplanada que no arcaramos com eventuais melhorias no fornecimento de energia, mas dias depois a Aneel declarou que o consumidor ter de pagar sim. Elvira  simples, mas burra no  no. E quando diz a vem fino rebulio  porque a coisa  sria. No ltimo sbado, dia de Santo Antonio (ela  devota mesmo de So Genaro), me deu a explicao sobre a disparada do preo da luz: o custo da energia com o qual estamos arcando vem l de 2012 quando o governo forou as distribuidoras a diminurem o valor das contas se quisessem antecipar a renovao das concesses. Claro que ia dar curto circuito, o barato saiu caro. A prova maior do erro  o fato de a Comisso de Valores Mobilirios ter acabado de condenar a Unio  multa de R$ 500 mil porque, nessa histria de antecipar as concesses, ela prpria, Unio, votou contra os interesses da Eletrobras  causou-lhe prejuzo, mesmo sendo acionista, desrespeitando a Lei das Sociedades Annimas. Elvira considera que a questo da luz merece uma operao Lava Rpido, e que a jogao de culpa na falta de chuva  to tola que d vontade de espreguiar na esquina.

Antonio Carlos Prado  editor executivo da revista ISTO


3#5 BRASIL CONFIDENCIAL
por Claudio Dantas Sequeira	 

Segredos bem pagos
Ningum sabe at agora o que a agncia de espionagem Kroll fez para ajudar nos trabalhos da CPI do Petrolo. Seja l o que for, importa saber que a empresa j embolsou R$ 900 mil por sua consultoria. O valor  80% do total do contrato de R$ 1,1 milho. Membros da comisso parlamentar garantiram  coluna que a empresa no produziu qualquer relatrio ou sequer entregou alguma informao relevante. A agenda de investigaes da Kroll, alis, foi tema de debate na CPI na semana passada. O deputado peemedebista Hugo Motta (PB) nunca explicou a contratao dos arapongas. O que dir do pagamento adiantado?

Ouro africano 
 A CPI do Petrolo recebeu da Petrobras, no da Kroll, um arquivo bombstico com documentos internos sobre as operaes de venda de ativos na frica. H memorandos, contratos e atas de reunies sobre negcios avalizados por Dilma Rousseff, que presidia o Conselho de Administrao. A papelada sigilosa  uma mina de ouro para a oposio.

Recurso contra Edemar 
 MPF e Banco Central recorrem da deciso que anulou a condenao penal de Edemar Cid Ferreira, do extinto Banco Santos. Alegam que a justificativa da defesa, de nulidade sobre o interrogatrio de corrus, no invalida outras provas obtidas de forma autnoma contra o banqueiro.

Masoquismo poltico 
 Na Cmara,  difcil encontrar entre os 513 deputados um que defenda o governo Dilma. O nico que cumpre essa misso inglria  seu lder, Jos Guimares (CE). Ironicamente,  justo Guimares quem mais sofre nas mos da presidente, com crticas pesadas e ataques.

Bolsa eleitoral
O uso de um exrcito de beneficirios do Bolsa Famlia como cabos eleitorais no foi exclusividade do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. A ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann tambm lanou mo do expediente na fracassada disputa pelo governo do Paran.

Luz para ningum
 Enquanto o governo federal corre para erguer novas termoltricas, 12 usinas elicas e uma hidreltrica esto prontinhas para uso.  espera, vejam s, da construo de linhas de transmisso e subestaes. Ao todo, esses empreendimentos poderiam injetar no sistema mais de 1 mil megawatts.

De olho em 2018 
 O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) j busca projeo nacional, de olho em 2018. Com uma agenda de debates sobre a maioridade penal, vem travando conversas com diversos lderes partidrios. Mas o tucano aposta mesmo no desgaste da relao entre PT e PMDB. 
 O namoro com os peemedebistas est apenas comeando.

A grfica da grfica
 A grfica Ultraprint foi a verdadeira responsvel pela impresso do material de propaganda encomendado pela campanha de Dilma Rousseff  grfica VTPB, ao custo de R$ 23 milhes. Se a Ultraprint tambm prestou servios diretos  mesma campanha, qual a funo de um intermedirio?

La garantia Soy Yo
 Os emprstimos concedidos pelo BNDES para obras em Cuba, na Venezuela e outros pases amigos poderiam ter sido garantidos pela Agncia Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A (ABGF). Nunca ouviu falar? Foi criada pelo PT e deveria funcionar como uma seguradora pblica para grandes projetos e financiamentos do governo na rea de infraestrutura, com cobertura at para riscos polticos e extraordinrios. Valeria para obras no Brasil tambm, ajudando a cobrir os emprstimos feitos a Eike Batista e s empreiteiras da Lava-Jato.

Agncia de apadrinhados
 O problema  que a ABGF no decolou. Com sedes em Braslia e Rio, a agncia nasceu com capital social de R$ 50 milhes, mas acumula prejuzos e carrega uma pesada folha de funcionrios com mais de 100 cargos comissionados, muitos preenchidos por indicaes polticas. Com sorte e muitos ajustes, ainda d para us-la no programa de concesses.

Toma l d c
Ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo
ISTO  A comisso especial da Cmara aprovou a proposta de reduo da maioridade penal, que agora vai a plenrio. Como o sr avalia isso?
 Cardozo  Isso est sendo tratado como um debate plebiscitrio. Reduzir a maioridade penal, sim ou no. No  assim! Estamos em uma fase de dilogo, temos que somar foras para combater a violncia.

ISTO   possvel aprovar a reduo da idade e a elevao do tempo de internao ao mesmo tempo?
 Cardozo  No, as propostas so incompatveis. Da parte do governo somos radicalmente contrrios a mudar a Constituio para tratar deste assunto.

ISTO  O governo concorda com o projeto do senador Jos Serra (PSDB)?
 Cardozo  A elevao do tempo de internao de trs para dez anos  a melhor alternativa. No tem efeitos perversos da reduo da maioridade e d os resultados imediatos que a sociedade deseja.

Rpidas
* A publicitria Danielle Cunha, filha do presidente da Cmara, dedica-se informalmente ao monitoramento das redes sociais da Casa. Servidores reclamam que a jovem fiscaliza qualquer postagem crtica ao pai.

* O estilo personalista de Eduardo Cunha tem provocado uma debandada geral de funcionrios. Srgio Sampaio, que dirigia a Cmara havia 12 anos, trocou a direo-geral pela chefia da Casa Civil do DF. Sampaio disse a amigos que Cunha rasgou o regimento da Casa.

* Eduardo Cunha no respeita sequer os mortos. Ao ser cientificado da morte de Paes de Andrade, recusou-se a suspender a sesso para as honras de praxe. Disse que quarta-feira no era dia de morrer. S reconsiderou aps interveno de Danilo Forte e Euncio Oliveira.

* O deputado federal Andrs Sanchez (PT-SP) pode se afastar da Cmara para assumir a presidncia da CBF. Cr que o atual homem forte Marco Del Nero cair at agosto. Sanchez tem apoio de Lula e espera tambm o de Dilma. Quem no gosta nada da ideia  o tcnico Dunga.

Retrato falado
O pacote de concesses anunciado pela presidente Dilma Rousseff na ltima semana no foi consenso nem mesmo entre parlamentares do PT. O senador Walter Pinheiro (PT-BA), titular da Comisso de Assuntos Econmicos, criticou o fato de o governo no articular as aes com o Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior.

Canto da sereia
 Para compensar o racha na base aliada, o governo assediou os deputados de primeiro mandato. O deputado Carlos Gaguim (PMDB-TO) foi delegado pelo Palcio do Planalto a liderar essa frente que pode reunir at 198 parlamentares novatos. O preo da fidelidade so emendas parlamentares para suas bases eleitorais no incio de 2016.

Ttulos podres 
 O MPF quer saber se o grupo Schahin usava a offshore S&S Finance Services para captar dinheiro frio no mercado para se financiar. A conta foi citada por Pedro Barusco como destino de propina do petrolo. Uma declarao assinada por Pedro Schahin, obtida pela coluna, confirma que o grupo era o real proprietrio da empresa de fachada. O banco Schahin, comprado pelo BMG, emitiu em nome da offshore sediada nas Ilhas Virgens mais de US$ 130 milhes em certificados de dvidas.

Colaborarou Josie Jernimo
______________________________________


4# BRASIL 24.6.15

     4#1 O PT E SEUS CONSULTORES
     4#2 CERCADOS PELA INTOLERNCIA
     4#3 A AGENDA DE FACHIN
     4#4 DILMA NAS CORDAS
     4#5 PROPINA DE R$ 30 MILHES PARA RENAN

4#1 O PT E SEUS CONSULTORES
Segundo procurador da Operao Lava Jato, no Brasil se multiplica um tipo de consultor cuja misso  enriquecer o privado em detrimento do pblico
Por Mario Simas Filho

E m todo o mundo  comum a atuao de empresas de consultoria na elaborao de grandes negcios, na aprovao de projetos e at na prospeco de empreendimentos transnacionais. No  raro, nas mais diversas reas, que profissionais experientes que se destacaram no exerccio de suas atividades e conquistaram o status de portadores de notrio saber sejam em determinado momento da carreira levados ao posto de consultor. No Brasil isso tambm acontece. O problema  que, por aqui, as consultorias tm mais de um significado e nem sempre se referem a atividades republicanas. Em Braslia, no  novidade, por exemplo, que, na falta de regulamentao para a ao dos lobistas os mais diversos grupos de interesses acabem recorrendo a consultores para o trabalho de convencimento de parlamentares e outras autoridades. Nos ltimos anos, porm, segundo relato feito  ISTO por um dos procuradores da Operao Lava Jato, comeou a se multiplicar no Pas um tipo muito particular de consultor. Uma espcie de intermedirio entre o pblico e o privado cuja principal misso  enriquecer o privado em detrimento do pblico. As investigaes da Operao Lava Jato identificaram na atuao de dois petistas ilustres os detalhes sobre o funcionamento de determinadas operaes que carregam o rtulo de consultorias apenas para dar ares de legalidade a um srie de atitudes descritas em nossa legislao como trfico de influncia, lavagem de dinheiro, corrupo, formao de quadrilha etc.  muito claro que o ex-ministro Antnio Palocci usou muito mais seu notrio trnsito do que seu notrio saber, diz o procurador. E o mesmo serve para o ex-ministro Jos Dirceu.

CONDENADOS E RICOS - Mesmo nas garras da Justia, Dirceu e Palocci mantiveram trnsito entre ministrios e faturaram milhes com suas consultorias

Entre 2007 e 2010, enquanto Palocci exerceu o mandato de deputado federal, sua consultoria faturou extraordinrios R$ 35 milhes e amealhou cerca de 60 clientes dos mais diversos setores. Quando ocupou o Ministrio da Fazenda, Palocci foi apontado como um ministro competente. Caiu ao violar o sigilo bancrio de um caseiro e o Cdigo Penal. No PT continuou forte politicamente, comandou a campanha de Dilma em 2010 e voltou ao governo como ministro da Casa Civil. Caiu quando seu enriquecimento foi desfraldado e sua consultoria exposta  luz. Continuou forte politicamente, com bom trnsito nos ministrios e entre parlamentares aliados. E, por isso, um consultor bem sucedido. Com Z Dirceu o enredo  o mesmo. Depois de condenado como chefe da quadrilha do mensalo, sua consultoria faturou R$ 39 milhes. Os dois casos explicam, segundo o procurador, por que nas gestes do PT esse tipo de consultor vem se proliferando no Brasil: O fato de o partido continuar a prestigiar politicamente os lderes acusados e condenados por prticas corruptas assegura a eles o trnsito privilegiado entre os que efetivamente tm poder de deciso para a realizao de negcios que tiram dinheiro pblico para enriquecimentos ilcitos.

Os responsveis pela Operao Lava Jato sabem que os clientes de Palocci e Dirceu buscaram consultores que navegassem com tranquilidade nas guas governamentais. E isso no configura necessariamente um crime. O problema  que os indcios at agora levantados mostram que essas consultorias podem ter ido alm do bom trnsito e servido de fechada para a canalizao de propinas. Nesse caso  crime e d cadeia.

Mario Simas Filho  diretor de redao da revista ISTO


4#2 CERCADOS PELA INTOLERNCIA
Comitiva de senadores brasileiros  recebida com violncia na Venezuela e reao tmida de Dilma revela a velha conivncia petista com a escalada ditatorial do governo Maduro
Srgio Pardellas (sergiopardellas@istoe.com.br)

Entre os legados herdados pelo presidente da Venezuela, Nicols Maduro, do antecessor e lder inspirador, Hugo Chvez, certamente o mais deletrio deles tenha sido o fim da independncia das instituies. Hoje, graas a essa herana perversa, observa-se no Pas a consolidao da uma nova oligarquia ditatorial comandada por um mandatrio centralizador cujo poder se pretende absoluto. Apesar das evidncias em contrrio, como o cerco e a priso de opositores ao governo, no raro com o uso de inclemente violncia pela polcia oficial, os chavistas fiis seguidores de Maduro insistem em chamar o regime a que os venezuelanos esto submetidos de democrtico.

Na quinta-feira 18, uma comitiva de oito senadores brasileiros desembarcou em Caracas para tentar reconhecer a democracia que Maduro e partidrios dizem haver no Pas. Foram impedidos e testemunharam  no propriamente para a surpresa deles  o inverso do apregoado pelos partidrios do presidente venezuelano. Num episdio que pode ser classificado como grave incidente diplomtico, o governo de Maduro escancarou a sua veia totalitria. A misso oficial brasileira tinha como objetivo verificar a situao de presos polticos do Pas, mas ao desembarcar em Caracas os senadores foram recepcionados com violncia por dezenas de manifestantes locais, que se aproveitaram do fechamento do trnsito pela polcia de Maduro para fazer um cerco ao nibus destinado a transportar as autoridades. Insandecidos, gritaram: Fora, Fora. Chvez no morreu, se multiplicou. Bateram na lataria do veculo onde se encontravam, alm dos senadores, as mulheres de polticos da oposio a Maduro. No conseguimos sair do aeroporto. Sitiaram o nosso nibus, bateram, tentaram quebr-lo, contou Ronaldo Caiado, do DEM. A manifestao foi feita obviamente a servio do governo venezuelano e colocou em risco a vida dos senadores brasileiros, fez coro o presidente do PSDB, senador Acio Neves. Diante da hostilidade, o nibus regressou ao aeroporto e encontrou o terminal fechado. Ao tentar seguir novamente em direo ao presdio Ramos Verde, em Caracas, onde se encontra Leopoldo Lopez, lder do partido oposicionista Vontade Popular, os brasileiros perceberam que a via permanecia bloqueada. Sitiados, os parlamentares decidiram, ento, voltar para casa. No sem protestos. Est clarssimo que nos colocaram numa arapuca. Liberaram o avio, mas trancaram o aeroporto, disse o senador Agripino Maia, presidente do DEM.

O governo venezuelano atribuiu o trfego intenso  transferncia de um preso poltico, coincidentemente, no exato momento do desembarque da comitiva de senadores em Caracas. Tratou-se de mais uma desculpa esfarrapada apresentada pelos asseclas de Maduro. Em entrevista ao correspondente do jornal Folha de S.Paulo na capital venezuelana, um dos agentes da Polcia Nacional Bolivariana reconheceu haver uma ao orquestrada para impedir a passagem das autoridades brasileiras.  evidente que  uma sabotagem. Quando vem uma autoridade estrangeira, ns os escoltamos em fluxo, contrafluxo ou em qualquer circunstncia, afirmou, pedindo para no ser identificado, por temer retaliaes. O governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, responsabilizou Maduro pelo cerco ao nibus com parlamentares do Brasil. Que vergonha bloquear a passagem de senadores brasileiros, Maduro, escreveu Capriles no twitter.

Pressionada por Acio, pelo presidente da Comisso de Relaes Exeriores do Senado, Aloysio Nunes Ferreira, e pelos presidentes da Cmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a presidente Dilma Rousseff no teve outra alternativa seno chamar o chanceler, Mauro Vieira, para prestar explicaes. Na sequncia, o Itamaraty lamentou em nota as aes hostis e prometeu cobrar esclarecimentos do governo venezuelano. A reao, como j era esperado, revelou-se tmida. Em graves situaes diplomticas como as vivenciadas na quinta-feira 18, esperava-se da presidente uma atuao mais enrgica. O mnimo que poderia ser feito era o pedido imediato do retorno do embaixador brasileiro na Venezuela. Mas a medida no era sequer cogitada no Planalto at o fechamento desta edio. Na realidade, o governo Dilma tem demonstrado, no  de hoje, conivncia com a ascenso ditatorial na Venezuela. Mais do que isso. H duas semanas, o ex-presidente Lula recebeu o segundo homem do regime chavista, Diosdado Cabello, na sede do Instituto Lula. Presidente da Assembleia Nacional, Cabello  investigado nos EUA por trfico de drogas, alm de ser conhecido pela brutalidade no trato com adversrios polticos. Tambm h duas semanas, durante reunies da Cpula de Pases da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e da Unio Europeia, na Blgica, Dilma repudiou eventuais sanes ao governo Maduro.


4#3 A AGENDA DE FACHIN
Apesar da sobriedade na posse, as primeiras manifestaes do novo ministro do STF indicam uma postura de alinhamento s teses do PT e do Planalto 
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

A posse do novo ministro do STF, Luiz Edson Fachin, movimentou autoridades do Executivo e do Legislativo na tarde da tera-feira 16. Engrossaram a plateia de convidados presidentes de entidades de classe, parlamentares do PT e de partidos de oposio, e at polticos investigados pela Operao Lava Jato, interessados diretamente no destino que o novo ministro dar aos seus processos. No entanto, o exagerado beija-mo, condenvel, embora tradicional nesse tipo de solenidade, no foi capaz de tirar a fleuma de Fachin. Na solenidade, o magistrado optou pela discrio. No fez discurso e preferiu evitar entrevistas, adotando comportamento incomum entre os que acabam de alcanar o posto considerado o topo da carreira da magistratura. Talvez porque, demonstrando bem mais desembarao, dias antes o ministro j havia fornecido pistas sobre como ele pretende pautar sua atuao no STF.

ALIADO DO GOVERNO? - Fachin criticou peso dado  delao premiada e disse que no sabe se relatar julgamento dos planos econmicos

Ao comentar os depoimentos de delao premiada que recheiam os processos do Petrolo, Fachin disse que ningum poderia ser julgado e condenado com base apenas nos relatos de delatores. A delao premiada  um indcio de prova. Precisa ser secundada por outra prova idnea pertinente e contundente, que so as caractersticas que a gente tipifica como uma prova para permitir o julgamento e o apenamento de quem tenha cometido alguma infrao criminal, afirmou. Embora o magistrado no integre a turma destacada para analisar os processos da Lava Jato, se as aes chegarem a plenrio, ele votar juntamente com os 10 colegas. Espera-se que essa postura j antecipada pelo magistrado no esteja contaminada pelo fato de ele ter sabidamente ligaes anteriores com o PT, partido que mais sofrer caso as investigaes da Lava Jato levem  punio de autoridades e polticos.

Nos prximos dias, o novo ministro herdar ainda mais de 1.400 peas que estavam sob a responsabilidade de Ricardo Lewandowski antes de o ministro assumir a presidncia do tribunal. A mais polmica das relatorias trata do conjunto de aes sobre perdas financeiras que investidores da caderneta de poupana tiveram com planos econmicos institudos pelo governo nas dcadas de 1980 e 1990. Especialistas estimam que os ressarcimentos atinjam a casa dos R$ 149 bilhes e a Caixa Econmica Federal, banco pblico que concentra este tipo de aplicao, teria de desembolsar cerca de R$ 50 bilhes se o Supremo decidisse a favor dos poupadores. No meio do arrocho fiscal, o governo se arrepia com a ideia. Fachin ainda no decidiu se assumir a responsabilidade de relatar as aes que podem aprofundar ainda mais o rombo do caixa da Unio. Vou me inteirar disso e em um momento oportuno vou manifestar minha deciso, afirmou Fachin. Ele foi advogado no caso em que a 2 Seo do Superior Tribunal de Justia definiu, em recurso repetitivo, os prazos prescricionais para as aes dos planos. Se Fachin se declarar impedido, o julgamento no pode acontecer, o que atenderia aos interesses do Planalto. Pelo Regimento do STF, questes constitucionais exigem um qurum mnimo de oito ministros. E os ministros Luis Roberto Barroso, Crmen Lcia e Luiz Fux j se declararam impedidos.

Tambm caiu nas mos de Fachin a deciso de acolher ou rejeitar a denncia que a Procuradoria-Geral da Unio fez contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em 2013. O senador  acusado de usar influncia poltica para ter contas pessoais pagas por uma empreiteira, escndalo que veio  tona em 2007. O novo ministro, cabe lembrar, sofreu severa oposio do peemedebista durante a apreciao de sua indicao.


4#4 DILMA NAS CORDAS
TCU define prazo de 30 dias para a presidente explicar "pedaladas" fiscais e d  oposio um slido argumento a favor do impeachment 
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

A indecorosa presso do governo sobre o Tribunal de Contas da Unio (TCU) pela aprovao das contas de Dilma Rousseff levou o colegiado do rgo a validar uma novidade que colocar a presidente nas cordas durante pelo menos 30 dias. A corte deu  presidente o prazo de um ms para tentar justificar o injustificvel. O TCU quer saber por que o governo gastou mais do que arrecadou, autorizou novas despesas em vez de cortar quando estava no vermelho e, mesmo alterando a meta de supervit, terminou o ano de 2014 com saldo deficitrio. Pela primeira vez, um chefe do Estado brasileiro ter que apresentar uma defesa individual ao Tribunal. O prazo e a oportunidade de ampla defesa, porm, no so boas notcias para o Planalto. Pelo menos dois itens apontados como irregulares pelo TCU, no escopo das manobras financeiras conhecidas como pedaladas, so de atribuio exclusiva da presidente. Se as explicaes de Dilma no convencerem, a rejeio das contas pode dar  oposio um slido argumento para pedir o impeachment da presidente, sob a alegao de que ela cometeu crime de responsabilidade. De qualquer forma, o debate sobre o impedimento est reaberto no meio poltico, independentemente do desfecho do processo no TCU. Do ponto de vista jurdico, vai ser a fasca que faltava, disse o senador Acio Neves (PSDB-MG).

PRESSO - Os senadores Aloysio Nunes, Ronaldo Caiado, Jos Agripino e Acio Neves em encontro com o relator das contas do governo. O processo do TCU reacende o debate do impeachment de Dilma

O parecer do procurador do Ministrio Pblico junto ao Tribunal de Contas, Jlio Marcelo de Oliveira, e o relatrio do ministro Augusto Nardes sobre as irregularidades cometidas pelo governo so contundentes. Ambos apontam que Dilma feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Constituio, a Lei de Diretrizes Oramentrias e o decreto 93.872 de 1986  que regula as aplicaes dos recursos do Tesouro  para criar uma falsa realidade das contas pblicas e no ser obrigada a congelar investimentos em reas com forte apelo popular durante o ano eleitoral. A nao assistiu, perplexa, a uma verdadeira poltica de irresponsabilidade fiscal marcada pela deformao de regras para favorecer os interesses da chefe do Poder Executivo em ano eleitoral, critica o MP. No parecer, o procurador Jlio Marcelo lembra que, em 1937, Francisco Thompson Flores, ministro da corte, pediu as rejeies das contas do ento presidente Getlio Vargas, apesar de sofrer presses e represlias. Ele sugeriu ao colegiado atual o mesmo ato de coragem. Jlio Marcelo concordou que a deciso do TCU em abrir espao para Dilma se defender deu maior segurana  futura deliberao do TCU. Assim, ela no poder alegar cerceamento de defesa.

O relatrio de Nardes est amparado em argumentos tcnicos. Dilma ter de responder por diversas irregularidades. A responsabilidade direta da presidente foi constatada pelo relator em omisses das dvidas da Unio com bancos pblicos. A inteno por trs da manobra era melhorar as estatsticas oficiais de desempenho do governo. Outro artifcio atribudo  presidente , cujo objetivo era maquiar as contas pblicas, foi a utilizao de recursos da Caixa para pagar as despesas do Bolsa Famlia e, assim, segurar recursos do Tesouro. O relatrio de Nardes ainda cita execues oramentrias que driblam a Legislao. Entre elas est uma das principais vitrines do Planalto, o Minha Casa, Minha Vida. Pelo menos R$ 6,2 bilhes do programa foram pagos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Servio (FGTS), prtica que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituio.

Dilma ter dificuldades para se defender. O relatrio do TCU destaca a liberao de emendas parlamentares para convencer os congressistas a aprovar o projeto de lei que mudou a meta de supervit no final de 2014, evitando que o governo burlasse a Lei de Diretrizes Oramentrias. Segundo o Tribunal, dois episdios podem levar a presidente a ser enquadrada em crime de responsabilidade. Apesar de a reviso bimestral das contas apontar que Dilma teria que assinar um decreto determinando o contingenciamento de R$ 28,5 bilhes, a chefe de Estado decidiu no cortar recursos do governo. Para piorar, mesmo com as contas no vermelho, ela chancelou um decreto liberando R$ 10,1 bilhes em gastos para diversos rgos, em confronto direto com a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituio.

O presidente da Sociedade Brasileira de Direito Pblico, Carlos Ari Sundfeld, diz que o s artigos 8 e 9 da LRF estabelecem como responsabilidade do chefe do Poder Executivo a misso de adequar os gastos com o montante da arrecadao. Os decretos, por ao ou por omisso, so aes atribudas  presidente, diz Sundfeld. O decreto que liberou gastos violou a Lei de Responsabilidade Fiscal Alm disso, se a autoridade se omite, comete um crime de responsabilidade. Pelas regras do jogo, deve ser do Congresso a palavra final sobre as contas do governo. Nos ltimos anos, o Legislativo tem sido negligente em analisar as prestaes. Desde 2002, nenhuma conta foi referendada em plenrio. Se o TCU rejeitar as contas de Dilma, qualquer cidado ou entidade poder apresentar o parecer do Tribunal como argumento para pedir o afastamento da presidente na Cmara ou sugerir uma ao de improbidade movida pelo Ministrio Pblico Federal.

O governo mobilizou todo o seu aparato poltico para fazer uma romaria aos gabinetes dos nove ministros do TCU. Apesar de ser um rgo de carter tcnico, grande parte dele  formada por indicaes polticas de parlamentares e ex-congressistas. Mesmo em clima de inimizade com o Palcio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi acionado para manter contato com dois ministros de sua cota: Bruno Dantas e Vital do Rego. O ex-presidente Jos Sarney  o padrinho poltico do ministro Raimundo Carreiro. Os pernambucanos Jos Mcio Monteiro e Ana Arraes tm boas relaes com o ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva. A ofensiva do governo trouxe novamente o vice-presidente Michel Temer para a articulao. O peemedebista  muito prximo do relator do processo, ministro Nardes. A semana foi intensa para o colegiado. Alm das presses do governo, a oposio tambm visitou os ministros, cobrando a rejeio das contas da presidente. Na madrugada da quarta-feira 17, quando Nardes apresentou seu relatrio, militantes do Movimento Brasil fizeram viglia na entrada da sede do Tribunal. A presidente no ter sossego nos prximos dias.


4#5 PROPINA DE R$ 30 MILHES PARA RENAN
Inqurito da PF revela desvio de R$ 100 milhes nos fundos de penso Postalis e Petros. Delator acusa o presidente do Congresso de receber quantia milionria. Os parlamentares petistas Lindbergh Farias e Luiz Srgio teriam ficado com R$ 10 milhes cada
Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br)

Um golpe perpetrado recentemente contra os fundos de penso Postalis e Petros comea a ser desvendado pela Polcia Federal. Inqurito sigiloso obtido com exclusividade por ISTO traz os detalhes de um esquema que desviou R$ 100 milhes dos cofres da previdncia dos funcionrios dos Correios e da Petrobras. Parte do dinheiro, segundo a PF, pode ter irrigado as contas bancrias do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado federal e ex-ministro de Dilma, Luiz Srgio (PT-RJ), atualmente relator da CPI do Petrolo. Prestes a ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, devido  citao de autoridades com foro especial, o inqurito traz depoimento de um funcionrio do grupo Galileo Educacional, empresa criada pelo grupo criminoso para escoar os recursos dos fundos. Segundo o delator identificado como Reinaldo Souza da Silva, o senador Renan Calheiros teria embolsado R$ 30 milhes da quantia paga, Lindbergh R$ 10 milhes e o deputado Luiz Srgio, o mesmo valor.

Para desviar os recursos dos fundos de penso, os acusados, segundo a investigao da PF, montaram o grupo Galileo Educacional a fim de assumir o comando das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no Rio de Janeiro, que passavam por dificuldades financeiras. Para fazer dinheiro, o grupo Galileo lanou debntures que foram adquiridas pelo Postalis e pelo Petros. De acordo com a PF, a operao foi feita apenas por influncia poltica e sem nenhum critrio tcnico. O dinheiro, em vez de ser aplicado nas universidades, teria sido desviado para um emaranhado de empresas e depois, segundo o delator, remetido a Renan, Lindbergh e Luiz Srgio. Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuzo.

Nas seis pginas de denncia, o delator cita, alm dos parlamentares, os supostos operadores desses polticos e de seus partidos, imbricados numa rede de empresas de fachada que teriam servido para lavar os recursos dos fundos de penso. At agora, PF e Ministrio Pblico j ouviram mais de 20 pessoas, pediram o indiciamento de algumas delas e chegaram a cogitar prises cautelares e a apreenso de passaportes. Os envolvidos montaram todo um simulacro com aparato administrativo, financeiro e jurdico para angariar recursos em uma estrutura que no tinha qualquer comprometimento com a proposta educacional, afirma o delegado Lorenzo Pompilio, que comanda o inqurito. Em relatrio encaminhado ao MPF, ele fala em ciclo criminoso, considerando a incurso dos acusados nos crimes de peculato, formao de quadrilha e estelionato. Segundo o delegado, as atas de reunies, assemblias, contratos e outros registros financeiros indicam aes delineadas e orquestradas a pretexto de desenvolvimento de atividade acadmica, mas que tinham o nico intuito captar recursos que desapareceram.

Sem poder avanar na apurao do ncleo poltico, alm do que j foi descoberto, evitando assim que o processo seja enviado prematuramente ao STF, os investigadores dissecaram a ao de seus operadores. Quem capitaneou o esquema foi o advogado Marcio Andr Mendes Costa, responsvel por criar o grupo Galileo e montar a engenharia para drenar recursos dos fundos de penso  tudo feito com aparncia de legalidade e auxlio de conhecidos executivos do mercado financeiro. Em pouco tempo, Mendes Costa conseguiu acessar os cofres do Postalis e da Petros, assumiu o controle da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, instituies tradicionais do Rio de Janeiro.

Toda essa influncia no surgiu do nada. Ex-conselheiro da OAB-RJ, o advogado circula com desenvoltura no meio poltico. Advoga para Furnas e trabalha h anos para a famlia do ex-senador Wellington Salgado, do PMDB mineiro, antigo aliado de Renan Calheiros. Tambm  parceiro do peemedebista Hlio Costa. Foi o ex-ministro das Comunicaes quem indicou Adilson Florncio da Costa como diretor financeiro da Postalis. Ao sair, Florncio da Costa deixou em seu lugar Ricardo Oliveira Azevedo, outro apadrinhado de Renan. Azevedo levou ao comit financeiro do fundo, em abril de 2011, a proposta de investimento no grupo Galileo. Em seu relatrio, ele avalizou o projeto e o negcio acabou aprovado por todos os integrantes. Uma vez concludo o negcio, Florncio da Costa tornou-se conselheiro da Galileo. Aqui est o que a Polcia Federal definiu como aprovao por influncia poltica, sem critrio tcnico.

O dinheiro do Postalis, cerca de R$ 80 milhes, foi usado para adquirir 75% do total de debntures emitidas pelo grupo. O restante foi comprado pela Petros e pelo Banco Mercantil do Brasil, responsvel por estruturar a operao. Segundo depoimentos, dentro do banco o negcio foi encaminhado pelo irmo de Mendes Costa, Marcus Vincius, acionista minoritrio do BMB. As debntures do Galileo tiveram como lastro as mensalidades do curso de medicina da Universidade Gama Filho, que naquele momento j passava por dificuldades financeiras e risco de descredenciamento pelo Ministrio da Educao. Compr-las era uma deciso temerria e s uma gesto poltica poderia garantir a aplicao milionria num negcio pra l de suspeito.

Mas os dirigentes dos fundos desconsideraram o risco, assim como se comportaram o banco BNY Mellon, contratado pelo Postalis como administrador dos investimentos, e a consultoria Planner Trustee, agente fiduciria da operao. Ao todo, o Postalis investiu R$ 81,4 milhes em debntures. Para receber os recursos, Mrcio Costa criou a empresa Galileo Gestora de Recebveis S.A, tambm controlada por ele. Como se as garantias das mensalidades do curso de medicina j fossem frgeis, o advogado ainda decidiu troc-las pelas de engenharia mecnica e eltrica  sem avisar ao Postalis. O escndalo veio  tona em 2012 e foi at alvo de uma CPI na Assemblia Legislativa do Rio, mas as investigaes foram abafadas. O relatrio final da CPI responsabilizou Mrcio Costa, sem considerar suas relaes polticas e societrias.

Em depoimento  PF, a advogada Beatris Jardim, nomeada por Mrcio Costa como diretora financeira, revelou novos nomes que participaram do esquema. Ela disse, quando assumiu o cargo, que j no havia mais o dinheiro das debntures no caixa. E apontou como verdadeira tesoureira do grupo Aline Cristina Duarte Gonalves, pessoa de confiana de Costa. Quando eu perguntava sobre o dinheiro, eles me respondiam com evasivas, disse Jardim, que j foi indiciada. Outro diretor, Samuel Dionizio entregou  PF extratos bancrios que mostram um depsito de pouco mais de R$ 50 milhes do Postalis numa conta vinculada ao recebimento das mensalidades dos alunos. O dinheiro depois foi transferido para outra conta da empresa administradora, sem passar na conta principal da Galileo. Em seguida, os valores foram pulverizados em uma srie de operaes com destinao que no pode ser identificada de forma mais clara. A PF e o Ministrio Pblico, que tambm atua na investigao, desconfiam que a dinheirama circulou pelas contas das empresas dos scios do grupo Galileo, depois por outras empresas fantasmas e at doleiros, antes de chegar aos polticos citados.

Uma das empresas que recebeu os recursos pertence, segundo a PF, ao empresrio Milton de Oliveira Lyra Filho, conhecido como Miltinho, outro operador importante do esquema. Dono de vrias companhias, a maioria de fachada, Lyra Filho  apontado em Braslia como o lobista de Renan. Ligado ao PTB e ao PMDB, o nome de Lyra surgiu na Polcia Federal em 2011 no mbito da Operao Voucher quando uma empresa sua foi identificada como beneficiria de recursos repassados pelo Ministrio do Turismo num convnio com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Infraestrutura Sustentvel (Ibrasi), uma espcie de ONG. Um ano antes, com aval do PMDB, Miltinho conseguiu que dois cunhados seus comprassem o edifcio-sede da Postalis e depois o revendessem, embolsando no negcio mais de R$ 1,2 milho. Depois da venda, o Postalis passou a pagar aluguel de R$ 139 mil para continuar no mesmo lugar.

A relao com os peemedebistas aproximou Miltinho de Renan Calheiros e os dois passaram a jantar em restaurantes de Braslia. Elementos da investigao da PF sugerem que, por influncia do presidente do Congresso, o lobista entrou de cabea no negcio da Galileo. Figurou primeiramente com 5% no quadro societrio do grupo, por meio de sua empresa IDTV Tecnologia e Comunicao. Depois, trocou a IDTV pela Euro America Participaes, que funciona no mesmo endereo numa sala no subsolo de uma galeria comercial do Lago Sul em Braslia. Para a Polcia Federal, o fato de Miltinho estar envolvido no esquema  mais um forte indcio  alm do depoimento do funcionrio da Galileo  da participao de Renan Calheiros no esquema. A PF agora quer quebrar o sigilo financeiro dessas companhias. Na Euro Amrica, Miltinho tem como scio o investidor Arthur Pinheiro Machado. Ele  investigado pelo Ministrio da Previdncia pois estaria por trs de falcatruas envolvendo R$ 300 milhes do prprio Postalis.

Alm de Miltinho, o lobista de Renan, a PF desconfia que o dinheiro do Postalis possa ter ido parar nas contas das empresas de Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. Ele aparece como diretor do grupo Galileo, apesar de no possuir qualquer afinidade com a rea educacional. Magro sempre atuou no setor de combustveis e responde processo por sonegao de impostos.

Se a presena de Ricardo Magro nos quadros de um grupo educacional chama a ateno da PF, tampouco se pode desprezar a relao com Marcelo Sereno. Ex-assessor do ex-ministro Jos Dirceu e figura de proa do PT carioca com reconhecida atuao nos fundos de penso, Sereno candidatou-se a deputado federal no ano passado, mas no foi eleito.  atribuda a ele a estratgia de arrecadao da campanha de Lindbergh Farias para o governo do Estado, que tambm fracassou. Na mesma chapa, o nico que teve sucesso foi o deputado Luiz Srgio, que saiu fortalecido com a reeleio e assumiu papel importante na Cmara como relator da CPI da Petrobras. Sua funo agora  evitar constrangimentos a Lindberg, que j  alvo de investigao no Supremo por suposto envolvimento no Petrolo. Todos so suspeitos de usar dinheiro desviado de contratos da Petrobras para financiar campanhas polticas. Com as descobertas do caso Galileo, MPF e PF acreditam que o mesmo esquema possa ter ocorrido nos desvios do Postalis, da Petros e de outros fundos de penso.

RENAN NEGA PROPINA
Claudio Dantas Sequeira

Procurado por ISTO para falar sobre o inqurito da Polcia Federal, que traz os detalhes de um esquema que desviou R$ 100 milhes dos cofres da previdncia dos funcionrios dos Correios e da Petrobras, e o acusa de ficar com uma propina de R$ 30 milhes, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), respondeu por meio de sua assessoria que no tem e no teve nenhuma relao com as instituies mencionadas, entre elas a Galileo Educacional.

Renan Calheiros afirma no ter nenhuma relao com as "instituies mencionadas"

Em depoimento que embasou o inqurito da PF, revelado por ISTO, o delator Reinaldo Souza da Silva disse que, do total desviado no esquema, Renan teria embolsado R$ 30 milhes, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) R$ 10 milhes e o deputado Luiz Srgio, ex-ministro de Dilma e relator da CPI da Petrobras, o mesmo valor.

O senador Lindbergh Farias tambm negou qualquer relao com o grupo Galileo e as universidades Gama Filho e UniverCidade. Para ele, a denncia no tem p nem cabea. Isso  um delrio descabido.  preciso que se apresente o mnimo de prova. E a prova de que no sou investigado  que o caso no est no Supremo, afirmou. Lindbergh afirma que no auge de crise da Gama Filho, pediu a interveno do MEC.

Ele acrescenta que conheceu o ento dono do grupo Galileo, Mrcio Andr Mendes Costa, na condio de juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TER), no como advogado ou empresrio. O deputado Luiz Srgio tambm afirmou  ISTO desconhecer a denncia e o inqurito da PF, mas defende o esclarecimento da questo. Ele negou qualquer relao com os envolvidos, mas confirmou ter se reunido com Mendes Costa, que o procurou para interceder junto ao Ministrio da Educao para evitar o descredenciamento da Gama Filho. Ele disse que estava em busca de um novo scio para tirar a universidade da situao que se encontrava e a cassao do registro inviabilizaria a iniciativa, justificou Luiz Srgio. Esse Mrcio Andr se movimentou muito para buscar uma sada. Disse que tinha um investidor, mas no falou quem era, afirma o deputado.
_________________________________


5# COMPORTAMENTO 24.6.15

     5#1 O PAPA VERDE
     5#2 O ASSASSINO DA SUPREMACIA BRANCA
     5#3 UM PORTINARI EM BUSCA DE APOIO

5#1 O PAPA VERDE
Com um texto corajoso, Francisco produz a primeira encclica ecolgica da histria da Igreja Catlica, critica as naes ricas e as multinacionais e conclama ao desenvolvimento sustentvel
Dbora Crivellaro (debora@istoe.com.br)

Francisco nunca foi to Francisco como na encclica Laudato si, apresentada oficialmente na quinta-feira 18 no Vaticano. Abrindo com o Cntico das Criaturas, de autoria do santo de Assis, o argentino Jorge Mario Bergoglio construiu um documento contundente, sobre como a devastao do meio ambiente cria relaes de explorao e desigualdade. A to comentada encclica ecolgica, a primeira sobre o assunto da histria da Igreja Catlica, tem como objetivo final os pobres, a grande preocupao do pontificado de Francisco. O tema controvertido j causou reaes  de elogios da Organizao das Naes Unidas a crticas de catlicos conservadores americanos, como o candidato republicano  presidncia Jeb Bush. No era para menos. O pontfice criticou abertamente as naes ricas, as multinacionais e a cultura do consumismo e do descarte, entre outros alvos. Essa encclica vai dar uma reviravolta na discusso ecolgica, quase sempre restrita ao meio ambiente, esquecendo que no existe meio ambiente, mas sempre o ambiente inteiro dentro do qual cabem as pessoas, as instituies e todas as coisas desta nossa Terra-me, afirma Leonardo Boff, um dos primeiros telogos no mundo a estudar a questo da f e da ecologia, que, a pedido do papa, enviou vrios textos seus para Roma.

INSPIRAO - O pontfice argentino faz aluso a So Francisco de Assis em vrias partes do documento

Na sua Laudato si, Francisco fala sobre a relao ntima entre os pobres e a fragilidade do planeta e a convico de que tudo est estreitamente interligado no mundo. Diz que o progresso  bem-vindo, gera benefcios, mas h muitos problemas gerados por ele. Critica o comportamento predatrio e consumista dos pases ricos. Muitos daqueles que detm mais recursos e poder econmico ou poltico parecem concentrar-se, sobretudo, em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanas climticas, afirma. O papa diz estar preocupado com a fraqueza da reao poltica internacional. H demasiados interesses particulares e, com muita facilidade, o interesse econmico chega a prevalecer sobre o bem comum. E ataca as multinacionais, ao mencionar a Amaznia, que chama de pulmo do planeta e dizer que  impossvel ignorar os enormes interesses econmicos internacionais que podem atentar contra as soberanias nacionais. Com efeito, h propostas de internacionalizao da Amaznia que s servem aos interesses econmicos das corporaes internacionais. Para o telogo Antnio Manzatto, definitivamente, Laudato si  um documento social, no tcnico. Francisco foi muito corajoso, diz o padre. Ele afirmou que, se os pases pobres tm dvidas em dinheiro, as naes ricas tm uma dvida ecolgica com eles, portanto deveriam costurar um acordo.

CERIMNIA - O cardeal Peter Tukson ( dir.) e o membro da igreja ortodoxa Joannis Zizioulas na apresentao da encclica na Santa S

No documento, o papa fala que o mundo, que chama de nossa casa, est se transformando num imenso depsito de lixo. Mas uma de suas maiores preocupaes  o aquecimento global. E novamente a maior inquietao so os pases em desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente afetados por fenmenos relacionados com o aquecimento e os seus meios de subsistncia dependem fortemente das reservas naturais e dos chamados servios do ecossistema como a agricultura, a pesca e os recursos florestais. Para o professor Antonio Carlos Alves dos Santos, da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC-SP), a encclica , tambm, um recado aos setores conservadores do catolicismo Principalmente o americano, que no aceita o problema do aquecimento global. No  toa, o senador republicano ultraconservador Rick Santorum disse que Francisco no tinha autoridade para escrever sobre o tema ecologia. Esqueceu-se que o papa jesuta tem mestrado em Qumica  e fez o documento muito bem assessorado.

As naes ricos so novamente atacadas na Laudato si quando o assunto  o esgotamento dos recursos naturais. No documento, Francisco diz que  impossvel sustentar o atual nvel de consumo dos pases mais desenvolvidos e dos setores mais ricos da sociedade, onde o hbito de desperdiar e jogar fora atinge nveis incomuns. J se ultrapassaram certos limites mximos de explorao do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza, diz. Para se antecipar s crticas de que ele estaria proclamando uma volta ao passado, afirmou: Ningum quer voltar para a caverna, mas  essencial retardar a marcha, ver a realidade de outra forma e recuperar os valores e propsitos destrudos.


5#2 O ASSASSINO DA SUPREMACIA BRANCA
Quem  Dylann Storm Roof, o jovem de 21 anos que matou nove pessoas dentro de uma igreja considerada smbolo da luta contra o racismo nos Estados Unidos 
Camila Brandalise (camila@istoe.com.br)

Amaior rebelio de escravos dos Estados Unidos estava marcada para a madrugada do dia 16 de junho de 1822, na cidade de Charleston, Carolina do Sul. Tinha um objetivo nobre: libertar milhares de negros em todo o territrio americano. Descoberta antes de tomar fora, fracassou com a priso e posterior assassinato do lder do motim, o ento ex-escravo Denmark Vesey. Na mesma poca e na mesma cidade, a igreja metodista episcopal africana, frequentada por negros e que tinha Vesey como um dos fundadores, foi incendiada. Passados 193 anos e um dia da revolta frustrada, na quarta-feira 17, um americano branco de 21 anos entrou no templo, reerguido aps o incndio e batizado de Emanuel (que significa Deus conosco), e sentou-se ao lado de outros fiis. Depois de uma hora, levantou-se. Preciso fazer isso. Vocs estupram nossas mulheres e esto dominando nosso pas. Precisam ir. Com uma arma em punho, matou nove pessoas  seis mulheres e trs homens  entre elas o pastor, Clementa Pinckney, tambm senador estadual, e fugiu em um carro preto da marca Hyundai.

Dylann Storm Roof foi preso na manh da quinta-feira 18, em uma parada de trnsito, sob acusao de crime de dio. Ele j havia sido detido duas vezes neste ano. Em fevereiro, em um shopping na cidade de Columbia, por portar um remdio de uso controlado sem prescrio, e em abril, por invaso ao mesmo centro de compras, pois devia ficar um ano sem frequent-lo. Cursou ensino mdio em trs escolas, mas em nenhuma delas h registro de concluso. Amigos dizem que ele era usurio contumaz de plulas como o ansioltico Xanax. Roof tambm era conhecido por fazer vrias piadas racistas, que at ento pareciam brincadeiras inocentes. Dizia planejar uma guerra civil. Da famlia, por enquanto, sabe-se apenas que no ltimo aniversrio ganhou do pai uma pistola calibre .45. Vizinhos e parentes o descrevem como um rapaz quieto e ensimesmado. Em sua foto de perfil no Facebook, aparece usando uma jaqueta preta adornada, do lado direito, com a bandeira do apartheid, regime de segregao racial adotado na frica do Sul entre 1948 e 1994, e com a bandeira da Rodsia, como era chamado o Zimbbue no perodo em que uma minoria branca mandava no pas.

Para o socilogo Tufuku Zuberi, professor do departamento de estudos africanos da universidade da Pensilvnia, Roof representa um grupo de pessoas nos Estados Unidos que insiste na ideia da supremacia racial. Ele foi claramente motivado por um tipo de hostilidade visto em vrias partes da sociedade, mas levou ao nvel mais baixo ao matar pessoas inocentes, diz. Para Zuberi, no  uma coincidncia Roof ter escolhido justamente essa data para o crime e ter dirigido at a igreja em Charleston, um marco na resistncia contra o racismo nos Estados Unidos. A Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel  lembrada no somente pela rebelio frustrada de 1822, mas por ter sido palco da luta pela igualdade racial em marchas, protestos e discursos, como o do lder Martin Luther King em 1962.

Segundo as autoridades americanas, a investigao estar focada nos motivos que levaram o suspeito a praticar os assassinatos. Apesar de ser acusado de crime de dio, h uma movimentao pblica, principalmente nas redes sociais, para que Roof seja considerado terrorista. O presidente Barack Obama tambm se pronunciou sobre o caso. Dizer que nossos pensamentos e oraes esto com eles, suas famlias e sua comunidade no  o suficiente para transmitir a angstia, a tristeza e a raiva que sentimos. No  a primeira vez que Obama precisa se pronunciar a respeito da violncia contra os negros durante o seu governo. Provavelmente, no ser a ltima. Com quase 200 anos separando o assassinato do lder Denmark Vesey e o massacre da ltima quarta-feira, constata-se que os filhos do dio, como o jovem Dylann Storm Roof, pararam no tempo.


5#3 UM PORTINARI EM BUSCA DE APOIO 
Brasil no consegue patrocnio para a reinaugurao dos painis "Guerra e Paz" na ONU. Descaso empobrece as comemoraes que celebrariam o artista
Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)

Depois de passar quatro anos viajando por Brasil e Frana, uma das maiores obras de arte brasileiras, o monumental Guerra e Paz, do pintor paulista Candido Portinari (1903-1962), est sendo mantida longe dos olhos do pblico. H sete meses, os dois painis de quatorze metros de altura e dez metros de largura que compem a obra esto cobertos por cortinas na entrada da sala da Assembleia Geral da Organizao das Naes Unidas (ONU), em Nova York, lar original das pinturas desde 1957. O motivo de Guerra e Paz estar escondido at agora  a falta de patrocnio para a realizao de uma cerimnia de reabertura, planejada por Joo Candido Portinari, filho do artista. A ONU queria mostrar os painis imediatamente, mas eu sugeri que ns realizssemos uma celebrao digna do papel do Brasil como pas de cultura da paz, disse Joo Candido  ISTO. Porm est sendo muito difcil captar os recursos necessrios para esse projeto, diz.

Segundo o escritor, que comanda a Fundao Portinari, responsvel pela manuteno do acervo do artista plstico, o oramento total para o projeto de reinaugurao de Guerra e Paz chegava a R$ 6,5 milhes. Esse valor incluiria intervenes artsticas que seriam realizadas em pontos tursticos da cidade de Nova York, como o Central Park e a Times Square, o desenvolvimento de um aplicativo para que o pblico pudesse interagir com as peas e a cerimnia de abertura em si, um show espetculo para duas mil pessoas, com direo da brasileira Bia Lessa, a ser realizado na Assembleia Geral da ONU. A Fundao Portinari conseguiu junto ao Ministrio da Cultura uma autorizao para captar R$ 4,3 milhes por meio da Lei Rouanet. Mas no conseguimos levantar nem um quarto desse valor ainda, diz Joo Candido. E com a proximidade da data de reabertura tivemos que mudar nossos planos. Abandonamos a ideia das intervenes artsticas e do aplicativo e vamos tentar realizar apenas o show.

A reinaugurao dos painis de Portinari j foi adiada trs vezes. A primeira data estava marcada para maro de 2015, mas foi remanejada devido  falta de recursos para a realizao da cerimnia. A ONU, ento, definiu 26 de maio como o dia da retirada das cortinas, mas foi adiado mais uma vez, a pedido de Joo Candido. Agora, o prazo para a reabertura de Guerra e Paz  8 de setembro, sem chance de um novo adiamento  o evento foi includo no calendrio oficial de comemorao dos 70 anos da instituio. A ONU nos deu um dia fantstico, prximo ao incio da Assembleia Geral, da agenda do milnio e da visita do papa Francisco, diz Candido. Mas o prazo est nos asfixiando. 
Sem as aes planejadas por Nova York, o custo total da cerimnia de reinaugurao cai para R$ 2,5 milhes, mas o valor captado pela Fundao Portinari no cobre essa despesa. Por enquanto, apenas duas empresas esto apoiando o projeto. Recebi respostas negativas de grandes bancos e companhias. E o governo est com uma agenda de crise, sem espao para uma agenda positiva, diz Candido. Caso a Fundao no consiga captar os recursos necessrios para o espetculo, que promete mostrar o anseio pela paz dos primrdios da humanidade at hoje, o escritor afirma que colocar em ao o plano M, de melancolia: a retirada das cortinas com uma pequena cerimnia sem destaque ou repercusso, algo lamentvel na viso do herdeiro de Portinari. A primeira inaugurao da obra tambm foi muito simples e no contou com a presena do meu pai, impedido de entrar nos Estados Unidos por ser considerado comunista, diz. 

ESCONDIDOS - Painis seguem sob cortinas na entrada da Assembleia Geral, na ONU

Pintados entre 1952 e 1956, os painis de Guerra e Paz foram doados  ONU em 1957, onde permaneceram por 52 anos. Em 2009, uma reforma na sede das Naes Unidas obrigou que as obras fossem retiradas do local. A partir dessa exigncia, Joo Candido teve a ideia de trazer as pinturas ao Brasil, onde elas s haviam sido exibidas uma nica vez, por apenas duas semanas, em 1956, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. De 2010 a 2014, a obra esteve no Rio de Janeiro, em So Paulo, Belo Horizonte e marcou presena tambm no consagrado Salo de Honra do Grand Palais, de Paris. Alm disso, passou por um minucioso processo de restauro, que pde ser acompanhado ao vivo pelo pblico. Agora, Joo Candido espera que a iniciativa privada reconhea a importncia de seu projeto. Que prioridade essa reinaugurao tem para o Brasil? Cada um ter a sua opinio. Mas, para mim, seria uma vergonha no conseguir realizar essa cerimnia to importante para a imagem do Pas, diz.
______________________________________


6# MEDICINA E BEM-ESTAR 24.6.25

     6#1 INFNCIA DOMADA A PLULAS
     6#2 O FIM DA GORDURA TRANS?

6#1 INFNCIA DOMADA A PLULAS
Cresce o uso infantil de remdios tarja preta contra transtornos psiquitricos. Quais os riscos e como saber se a medicao  necessria
Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

A Organizao Mundial de Sade (OMS) estima que 20% das crianas e adolescentes do mundo sofrem de transtornos comportamentais ou mentais. Por isso, h algum tempo a cincia investiga de que modo estes males esto sendo tratados. As concluses revelam aos especialistas um panorama extremamente preocupante. Em todo o planeta, observa-se um nmero assustador de meninos e meninas sendo medicados com remdios tarja preta, que afetam o sistema nervoso central e tm a venda regulada. Eles vivem uma infncia tratada a plulas.

Embora se trate de um fenmeno entendido pelos especialistas como algo real e inquestionvel, a super medicalizao das crianas ainda  difcil de ser mensurada com bastante preciso. H dados s vezes mais contundentes e outros apenas indicativos. No Brasil, uma ideia da dimenso do problema pode ser vista pelo aumento na venda de ritalina, medicao usada para o tratamento do Transtorno de Dficit de Ateno e de Hiperatividade (TDHA). Segundo dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, em outubro de 2009 foram vendidas 58,7 mil caixas do medicamento. Trs anos depois, no mesmo ms, as vendas somaram 108,6 mil caixas.  verdade que a droga  usada tambm por adultos portadores do transtorno, mas sabe-se que a maior parte dos usurios  de crianas e adolescentes.

Outro recorte  resultado de uma pesquisa feita pela Universidade Potiguar, no Rio Grande do Norte  ajuda a entender a gravidade do problema por aqui. Estagirios da instituio que atendem turmas de alunos de ensino bsico observaram que vrios estudantes tomavam psicofrmacos. Especialistas do Servio de Psicologia resolveram investigar o que estava acontecendo. Recebemos crianas e adolescentes com prescries de Ritalina (psicoestimulante), Rivotril (usado como ansioltico) e remdios para dormir, afirma Vania Calado, doutoranda em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coordenadora do Servio. Nada menos do que 36% dos alunos atendidos tm menos de 11 anos.

A questo em torno do abuso na prescrio de remdios psiquitricos a crianas tornou-se uma das principais preocupaes de psiquiatras, pediatras e psiclogos. Tanto que obrigou entidades da importncia da Associao Americana de Pediatria, por exemplo, a se posicionar publicamente alertando para o problema. A discusso principal  como evitar o hiper e o sub diagnstico. No primeiro caso, um jovem que passa, por exemplo, por uma tristeza normal, dessas que todo ser humano experimenta, pode ser equivocadamente diagnosticado como depressivo e passar a tomar remdio sem a menor necessidade. Na segunda, um garoto realmente portador do transtorno de dficit de ateno, que lhe rouba a capacidade de seguir o ritmo dos colegas na escola, pode acabar avaliado apenas como desatento ou desinteressado. E passar anos e anos sem receber a ajuda que precisa.

A habilidade de diferenciar a normalidade da patologia  o maior desafio para os especialistas. Todos passamos por situaes de tristeza e de desateno em algum grau, mas s algumas pessoas so portadoras de depresso ou de TDAH, por exemplo, afirma o psiquiatra Paulo Mattos, coordenador do Grupo de Estudos do Dficit de Ateno do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No caso das crianas, a dificuldade em reconhecer o que est havendo muitas vezes pode ser maior do que a experimentada em relao aos adultos. O diagnstico de um transtorno infantil pode criar uma zona de conforto para a aceitao dos problemas, afirma o psiquiatra Moises Groisman, autor do livro Terapia Familiar Breve na Infncia e na Adolescncia. Vrias vezes demonstro que o comportamento considerado anormal no  um transtorno.  mimo, diz.

Porm, muitas vezes a avaliao  feita por profissionais no qualificados. O resultado  desastroso. H jovens que deveriam tomar os remdios e no o fazem e outros sendo medicados sem necessidade, diz o psiquiatra Mattos. No documento Manifesto por uma melhor sade mental, institutos de psiquiatria e psicologia da Inglaterra revelam o que pode acontecer, por exemplo, quando a criana precisa de ajuda e no a recebe. Eles estimam que at 2020 cem mil crianas e adolescentes ingleses sejam hospitalizados anualmente por auto-mutilao por no receberem tratamento para o transtorno. Na Nova Zelndia, um levantamento feito pelo Ministrio da Sade mostrou que vinte mil adolescentes daquele pas consumiram antidepressivos em 2013.

A carioca Solange Brito, 52 anos, passou por quatro especialistas at que seu filho, Rafael, 12 anos, recebesse o diagnstico de transtorno de humor e TDAH. Hoje medicado, leva uma vida normal. Agora, se concentra. Antes, isso era impossvel, atesta a me. J Denise de Oliveira, 48 anos, resistiu em dar medicao a seu filho Diego, 13 anos, portador de um transtorno do desenvolvimento. Mas cedeu. Medicao no  frmula mgica, mas ajuda, diz. Experincia diferente viveu a contadora baiana Rosana Paulo, 50 anos, cujo filho mais velho, Rafael, chorava muito e chamava ateno da professora pelos problemas motores que atrapalhavam a escrita. Aps ouvir alguns mdicos, parou de trabalhar por dois meses, tirou o menino da escola e passou a dedicar-se prioritariamente a ele. Descobriu que ele era canhoto. Por isso s produzia garranchos ao tentar escrever com a mo direita. Hoje, aos 18 anos, Rafael se prepara para o vestibular.


6#2 O FIM DA GORDURA TRANS?
Deciso do governo americano de proibir o uso do ingrediente deve acelerar seu banimento da indstria alimentcia mundial
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)

Na ltima semana, o Food and Drug Administration (FDA) - a agncia responsvel pela liberao de remdios e alimentos nos Estados Unidos  anunciou uma medida histrica na luta por uma alimentao mais saudvel. Por determinao do rgo, dentro de trs anos nenhum produto alimentcio vendido em territrio americano poder conter em sua formulao a gordura trans, uma das maiores vils da sade por elevar o risco para doenas cardiovasculares. Esperamos reduzir as doenas cardacas e prevenir milhares de mortes por infarto todos os anos, afirmou Stephen Ostroff, diretor do FDA.

A gordura trans est presente em produtos industrializados como biscoitos, massas congeladas e sorvetes. H anos a cincia investiga seus danos ao organismo. Agora, h um conhecimento slido o bastante para saber que o ingrediente interfere em processos que resultaro no entupimento de artrias e no aumento do risco para outros fatores associados a doenas cardiovasculares.

No mundo todo as autoridades de sade vm impondo medidas para restringir sua utilizao. O governo americano, porm,  o primeiro a determinar seu banimento (sua presena s ser permitida em casos aprovados pelo FDA). Antes, j havia apertado o cerco. Em 2006, ordenou que a presena do ingrediente constasse no rtulo e nos ltimos anos intensificou os acordos com a indstria para sua reduo nos produtos. Com as medidas, o rgo estima que houve uma queda de 78% no consumo de alimentos com trans entre 2003 e 2012 naquele pas.

As decises do FDA costumam nortear as aes das agncias reguladoras da maior parte dos outros pases. No Brasil, fabricantes e Ministrio da Sade celebraram um acordo h oito anos visando  diminuio do ingrediente. De l para c, calcula-se que houve uma reduo de 250 mil toneladas de gordura trans nos produtos. Segundo o Ministrio, as discusses sobre a reduo sero retomadas.  
_______________________________________


7# ECONOMIA E NEGCIOS 24.6.15

     7#1 SINAL AMARELO PARA A POUPANA
     7#2 AIRBUS DESAFIA O GOOGLE
     7#3 COMO ESCOLHER O CURSO DAS FRIAS

7#1 SINAL AMARELO PARA A POUPANA
Enquanto a economia patina e o ajuste fiscal no vem, a aplicao mais tradicional dos brasileiros perde feio para a inflao e afugenta investidores
Ludmilla Amaral (ludmilla@istoe.com.br)

Desde que, h mais de 150 anos, Dom Pedro II assinou o decreto que autorizou as classes populares a poupar seu dinheiro na Caixa Econmica Federal em troca de uma pequena remunerao fixa, a poupana se consolidou como o investimento preferido dos brasileiros. Em um sculo e meio, ela superou inmeras crises econmicas (no final da dcada de 80, diante da brutal inflao, a correo monetria chegou a ser diria em vez de mensal) e ajudou milhes de pessoas a realizar sonhos. Agora, a caderneta est novamente diante de um enorme desafio. Com a taxa de juros nas alturas (13,75% ao ano) e a inflao em avano constante (acima de 8%), a poupana vem sofrendo uma forte debandada. Em maio, os investidores retiraram R$ 3,199 bilhes a mais do que depositaram  foi o quinto ms seguido de saldo negativo. Trata-se do pior resultado para maio em 12 anos. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2015, a sada lquida da aplicao (retiradas menos depsitos) foi de R$ 32,28 bilhes.

CRISE - Para o ministro Joaquim Levy, o Brasil precisa se "reequilibrar"

A crise econmica est no centro das dificuldades da caderneta. O Pas no cresce e parou de gerar empregos. Com os preos em disparada, as famlias se endividaram. Quem tem algum dinheiro na poupana recorre s reservas para pagar o carto de crdito, fazer compras no supermercado, passar o ms. Mas esse  apenas um dos fatores. Como a taxa de juros est alta demais, no faz sentido aplicar na caderneta, que se tornou, de longe, o pior dos investimentos. Atualmente, o seu rendimento est fixado em 0,5% ao ms mais o valor da Taxa Referencial (TR). Basta fazer uma rpida comparao para descobrir que ela no vale mais a pena. Nos ltimos 12 meses, a poupana rendeu 6,93%. Para um CDB tradicional, o retorno foi de 9,84%. Os fundos DI tiveram vantagem ainda maior, com rentabilidade de 10,20%. Quem venceu foi o Tesouro referenciado pela Selic, que pagou 10,73% aos clientes.

As pessoas com mais informao financeira acabam migrando para novas formas de investimento, diz o coordenador do Laboratrio de Finanas do Insper, Michael Viriato. O gestor de atendimento internacional Rodrigo Medina trocou a tradicional aplicao por fundos com rentabilidade diria. Medina tinha R$ 27 mil na poupana. Resolvi diversificar para ter um ganho maior, afirma. Normalmente, quem prefere a poupana no  investidor profissional, diz a consultora de finanas pessoais e professora de MBA da Fundao Getlio Vargas, Myrian Lund. So pessoas conservadoras e que guardam pouco dinheiro. O publicitrio Victor Ruiz, de 24 anos, se encaixa nesse perfil. Ele mantinha uma caderneta h dois anos e meio. Desempregado e com as contas acumulando, precisou sacar tudo o que havia poupado. Era melhor tirar o dinheiro do banco a ter meu nome sujo na praa, afirma

Mesmo com a sada de um contingente enorme de investidores, a fora da poupana  espantosa. Uma pesquisa realizada pela Fecomrcio RJ/Ipsos revelou que 85,8% (quase nove em cada dez) brasileiros que tem dinheiro aplicado recorrem  caderneta como principal investimento. O papel dela  vital para o desenvolvimento do Pas. So os recursos depositados na caderneta que financiam uma boa parte do crdito imobilirio. Com a poupana em baixa, menos pessoas tero a oportunidade de comprar a casa prpria. Em maio, a Caixa Econmica Federal anunciou um corte de R$ 30 bilhes dos recursos disponveis para esse tipo de emprstimo.

Para os especialistas, a situao da caderneta s vai melhor quando a economia brasileira tiver um respiro. O problema  que os indicadores continuam de mal a pior. Segundo pesquisa feita com mais de 100 instituies financeiras e divulgada na segunda-feira 15 pelo Banco Central, a previso para a inflao de 2015 subiu de 8,46% para 8,79%. Para o PIB, a perspectiva de retrao no ano  de 1,35%. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reforou o velho discurso de que, sem o ajuste fiscal, a economia continuar fora de eixo. O ajuste fiscal  necessrio para o Brasil se reequilibrar, disse Levy. S assim investimentos centenrios como a poupana vo retomar a ateno dos brasileiros.


7#2 AIRBUS DESAFIA O GOOGLE
Empresa aeronutica vai desenvolver satlites que distribuem sinal da internet para lugares remotos e inaugura uma guerra espacial contra a marca mais valiosa do planeta
Raul Montenegro (raul.montenegro@istoe.com.br)

Acorrida espacial recomeou. Desta vez, a disputa no envolve governos rivais, mas marcas poderosas como Airbus e Google. Ao anunciar que vai desenvolver satlites que prometem universalizar o acesso  internet, Fabrice Bregier, presidente da fabricante de aeronaves, entrou num campo at ento dominado pelo site de buscas, comandado por Larry Page. A Airbus fechou um acordo com a empresa OneWeb para produzir 900 satlites que devem espalhar o sinal da rede para o planeta inteiro, inclusive lugares remotos sem conexo. Estima-se que o custo do projeto possa chegar a US$ 2 bilhes. Em janeiro, em parceria com o fundo de investimentos Fidelity, o Google havia colocado US$ 1 bilho no desenvolvedor de tecnologia espacial SpaceX, que tem um projeto quase idntico. O Google est colocando dinheiro nisso porque s com acesso  internet as pessoas vo usar seus servios, afirma o consultor de tecnologia Antonio Bordeaux Rego. A ideia da Airbus  colocar sistemas de comunicao baratos em avies.

Por trs da OneWeb est Richard Branson, fundador do grupo de entretenimento Virgin, conglomerado com 300 marcas, e que se tornou um dos empresrios mais ousados do sculo 21. Os satlites que sero desenvolvidos prometem ser menores e mais baratos do que os atuais. Estaro a 1,2 mil km da Terra, bem menos do que outros satlites de comunicao, que orbitam a cerca de 36 mil km. No cho, os usurios precisaro de um receptor de US$ 250 para receber o sinal da rede. O Google ainda no deu detalhes de seu plano, mas seu parceiro SpaceX, controlado pelo fundador do site PayPal, pediu em junho permisso do governo americano para colocar 4 mil satlites de internet em rbita.

A concorrncia de pesos-pesados no projeto ser saudvel para o desenvolvimento de uma tecnologia que revolucionar a vida de bilhes de pessoas. Calcula-se que mais da metade da populao mundial ainda no possui conexo  rede (34,4% dos habitantes do Brasil esto nesse bolo, segundo estudo da McKinsey). Pessoas sem conectividade so pessoas sem oportunidade, o que  um problema para elas e para os outros , disse  Isto Greg Wyler, fundador do OneWeb. Esse  o modo como ns estamos contribuindo.


7#3 COMO ESCOLHER O CURSO DAS FRIAS
Cresce a oferta de cursos ldicos, culturais e profissionalizantes para a temporada de julho. A recomendao  definir o foco da atividade antes de investir
por Fabola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Com a chegada de julho, diversas instituies e universidades comeam a abrir cursos especiais de frias. Eles so os mais diversos possveis: ldicos, culturais, esportivos e tcnicos. Para os especialistas, o ideal  conciliar o curso escolhido com as demais atividades das frias. Colocar no papel o valor exato do investimento  outra dica para no exceder os gastos do prximo ms. Para os pequenos, instituies culturais oferecem programaes durante todo o ms. Museus e centros culturais tambm so uma boa opo, j que contam com roteiros especiais para a temporada. Praticar esportes, procurar um curso de meditao ou atividades para desestressar so bons investimentos durante as frias, diz Maria Roberta Almeida, professora do Ibmec. Cursos como teatro, dana, msica e idiomas esto entre os mais procurados entre o pblico jovem porque ajudam a desenvolver habilidades especficas da faixa etria. J os universitrios aproveitam o perodo das frias para investir em atividades complementares  graduao e dar um up grade no currculo.
________________________________________


8# MUNDO 24.6.15

8#1 MEU NOME  JEB!
8#2 A VOLTA DA GUERRA FRIA?

8#1 MEU NOME  JEB!
Filho e irmo de ex-presidentes, o novo Bush quer deixar para trs o peso do sobrenome e traar seu prprio caminho rumo  Casa Branca
Mariana Queiroz Barboza (mariana.barboza@istoe.com.br)

Ex-primeira-dama dos Estados Unidos e me de um ex-presidente, Barbara Bush foi questionada, h dois anos, sobre as aspiraes do filho Jeb  Casa Branca. Sua resposta: J tivemos Bushes suficientes. Apesar de muitos americanos concordarem com o diagnstico da matriarca de 90 anos, ela mudou de ideia. Em maro, Barbara assinou um e-mail pedindo recursos para a campanha de Jeb. Na segunda-feira 15, ela representou a famlia no anncio oficial de sua pr-candidatura  Presidncia dos EUA no salo de uma faculdade em Miami. Nenhum de ns merece esse emprego por direito de currculo, partido, idade ou famlia, disse o republicano. No  a vez de ningum. Esse  um teste para todos. Nem George Bush pai nem George W. Bush estavam na plateia, em mais uma demonstrao de que, em sua primeira campanha nacional, o novo Bush quer ser conhecido apenas como Jeb. Seu sobrenome, afinal, pode atrair muitos doadores e ter certa influncia dentro do Partido Republicano, mas no  nem um pouco popular entre os cidados comuns.

EM CAMPANHA - Jeb repete a estratgia de "esconder" o sobrenome desde a corrida para governador

Jeb sabe disso e repete a mesma estratgia de esconder o sobrenome desde sua primeira campanha ao governo do Estado da Flrida, em 1994. Dessa vez, ainda  recente a lembrana de uma guerra contra armas de destruio em massa inexistentes, que custou mais de US$ 2 trilhes aos cofres do Tesouro e milhares de vidas ao longo de quase nove anos. Jeb, que culpou as falhas no trabalho da inteligncia, tem dado declaraes controversas sobre o tema e chegou a dizer, numa reunio privada, que o irmo seria um de seus principais conselheiros na poltica para o Oriente Mdio. Mas a Guerra do Iraque tampouco  um assunto que os democratas estaro dispostos a debater se Hillary Clinton for escolhida como candidata do partido adversrio. Em 2002, a ento senadora votou a favor da invaso do pas rabe.

Considerado um dos favoritos  corrida presidencial, Jeb carrega a vantagem de aliar a figura de um homem de negcios branco, cristo e conservador com a de patriarca de uma famlia multicultural. Casado com uma mexicana, ele tem trs filhos hispnico-americanos e o idioma oficial em sua casa  o espanhol. Para o Partido Republicano, que tem perdido votos entre os eleitores latinos, essa aproximao  fundamental. Jeb  muito mais atrativo para essa fatia do eleitorado do que candidatos republicanos de outros ciclos, como Mitt Romney e John McCain, e tem grande apelo entre os mexicanos, que so dois teros dos latinos aptos a votar, disse  ISTO Antonio Gonzlez, presidente do Instituto William C. Velazquez, de San Antonio, Texas. Mas, para conquistar outras minorias, o desafio de Jeb ser maior. Hillary  muito popular nesse aspecto. Defensor da famlia tradicional e contrrio ao casamento homo-afetivo, o republicano j declarou que mes solteiras deveriam ser estigmatizadas e que no teria nenhuma poltica especfica para os negros. No perodo  frente do governo da Flrida, entre 1999 e 2007, ele tambm se envolveu em polmica ao obrigar que Terri Schiavo, uma americana que h 13 anos vivia em estado vegetativo depois de sofrer uma parada cardaca, fosse alimentada por um tubo,  revelia dos familiares da paciente.

Apesar disso, Jeb  muito popular na Flrida, um dos Estados decisivos para a escolha do presidente no sistema de colgios eleitorais. Quando era governador, ele reduziu o papel do Estado ao liderar um programa de privatizaes, flexibilizar o regime de trabalho de 16 mil funcionrios estatais e cortar bilhes de dlares em impostos. Assim, atraiu investidores e impulsionou a renda das famlias. Alm disso, fez reformas educacionais que se popularizaram pelo pas e, como um verdadeiro liberal americano, ampliou os direitos de donos de armas de fogo. Para conseguir a nomeao, o ex-governador dever enfrentar nos prximos meses at 20 concorrentes dentro de seu prprio partido. Entre eles, um antigo pupilo: Marco Rubio.


8#2 A VOLTA DA GUERRA FRIA?
Estados Unidos e aliados anunciam presena militar indita no Leste Europeu, enquanto a Rssia refora seu arsenal nuclear

Desde que uma crise poltica estourou na Ucrnia com protestos pr-Unio Europeia, em novembro de 2013, o mundo vem se questionando se as demonstraes de fora da Rssia e dos Estados Unidos poderiam terminar numa reedio da Guerra Fria. Se os americanos e seus aliados conseguiram a derrubada de lderes ucranianos hostis ao Ocidente e impuseram sanes econmicas a autoridades russas, o Kremlin, por sua vez, conseguiu a anexao da Crimeia e ampliou sua influncia no Leste Europeu, mergulhado num conflito separatista. Agora, a polarizao chegou ao campo militar. Na semana passada, uma reportagem do jornal americano The New York Times mostrou que Barack Obama e outros membros da Otan, aliana militar ocidental, estudam enviar armamento pesado e at 5 mil soldados aos blticos (Letnia, Estnia e Litunia) e pases como Polnia e Romnia. Segundo essa verso, tais naes se sentiriam ameaadas pelo expansionismo russo dos ltimos meses. O chefe de tropas da Otan, general Philip Breedlove, confirmou os planos. Se levada adiante, essa seria uma mobilizao sem precedentes desde o fim da Guerra Fria, h mais de 20 anos.

AO E REAO - Enquanto Barack Obama planeja mobilizar armas, Putin j reforou seu arsenal nuclear

Na tera-feira 16, o presidente da Rssia, Vladimir Putin, contra-atacou. Ao anunciar um reforo de 40 msseis intercontinentais para o arsenal nuclear russo, Putin disse que eles seriam capazes de passar pelos sistemas de defesa antiarea mais sofisticados. Para Moscou, esse representaria apenas um passo para a modernizao da indstria de defesa, que tem sofrido com armamentos velhos e obsoletos. Jens Stoltenberg, secretrio-geral da Otan, afirmou que a reao do Kremlin foi injustificvel, desestabilizadora e perigosa. Em lados to opostos, as potncias nucleares reacendem os temores de um conflito em que ningum ganha e colocam o mundo todo em estado de alerta. Para Anatoly Antonov, vice-ministro da Defesa da Rssia, o limite j foi estabelecido e est condicionado  transferncia de caas para a Europa. Se isso ocorrer, a resposta de Moscou ser adequada, disse Antonov.
____________________________________


9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 24.6.15

O DESPERTAR DE PHILAE
Depois de sete meses hibernando, o pequeno rob que est pousado em um cometa a mais de 200 milhes de quilmetros da terra volta a fazer contato

J era noite do sbado 13 na pequena cidade alem de Darmstatd quando a sonda Rosetta, distante 300 milhes de quilmetros da Terra, enviou uma breve mensagem ao centro de controle de voo da misso espacial que a levou  rbita do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: Tenho uma notcia incrvel, meu pequeno rob Philae acordou. Era uma notcia esperada h mais de sete meses, mas que pouca gente acreditava que poderia ocorrer. Tenho vrios amigos que estavam de frias e precisaram cancelar as viagens depois que a mensagem chegou, pouca gente esperava por ela de verdade, diz Lucas Fonseca, um engenheiro espacial brasileiro que participou diretamente da Misso Rosetta.

A Agncia Espacial Europeia perdeu contato com o Philae no dia 15 de novembro do ano passado, 72 horas depois de seu pouso desastrado no 67P. O robozinho viajou por 10 anos a bordo da sonda Rosetta e s se desligou dela no momento em que a espaonave e o cometa atingiram a mesma velocidade: 31,24 Km por segundo. Os mecanismos responsveis por sua fixao na superfcie do cometa no funcionaram como se esperava e o Philae, uma caixa metlica com patas do tamanho de uma lavadora de roupas, quicou trs vezes antes de parar no que se acredita ser a encosta de uma montanha. Por azar, o rob ficou numa rea de sombra e deixou de receber luz solar, fundamental para recarregar suas baterias.

Os cientistas acreditavam que a partir de maro, quando o 67P voltou a se aproximar do sol, o Philae acordaria. Mas isso no aconteceu. O que sabemos  que ele est pronto para voltar a operao e os controladores esto aproximando a Rosetta do cometa para que a comunicao entre o Philae e ela melhore, diz Fonseca. Isso vai ocorrer nos prximos dias, quando a sonda deve estar a 180 quilmetros do cometa, que, por sua vez chegar a seu ponto mais prximo do sol no incio de agosto.

Inicialmente os cientistas temiam que o Philae sucumbisse s altas temperaturas mas, agora, h quem acredite que ele pode, at, sobreviver a essa aproximao do sol, por conta de estar em uma rea de sombra. O problema inicial pode at se revelar algo bom para misso, diz Fonseca.
_______________________________________


10# CULTURA 24.6.15

     10#1 TELEVISO - GAME OF BBLIA
     10#2 CINEMA - A INVASO DOS TRAILERS
     10#3 EM CARTAZ  CINEMA - RETORNO IMPOSSVEL
     10#4 EM CARTAZ  LIVROS - MARTIN AMIS EM AUSCHWITZ
     10#5 EM CARTAZ  MSICA - TEMPORADA LRICA
     10#6 EM CARTAZ  CD - OS 70 ANOS DE IVAN LINS
     10#7 EM CARTAZ  DVD - OS SEGREDOS DO CONTATO
     10#8 EM CARTAZ  AGENDA - OCUPAO/LISBELA/VERBO

10#1 TELEVISO - GAME OF BBLIA
Trama religiosa leva Rede Record  marca histrica de audincia no horrio nobre. Agora, emissora se prepara para realizar superproduo internacional baseada no Velho Testamento e inspirada na srie "Game of Thrones" 
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

No princpio, eram as sries. Mas deu to certo, que a Rede Record investiu um oramento de mais de R$ 100 milhes e abriu o horrio nobre para uma novela baseada em passagens do Velho Testamento. Os Dez Mandamentos marcaram na semana passada um recorde histrico: a vitria no Ibope sobre a Rede Globo no horrio das oito, como  chamada a faixa que hoje abarca a programao das 20h s 23h. O interesse pelos folhetins brasileiros inspirados nas escrituras atravessaram, inclusive, as fronteiras nacionais. A emissora de Edir Macedo, alm de exportar o que j tem pronto, vai produzir uma nova saga do gnero em ingls. Reinos, ttulo provisrio da srie em parceria com a Swen Group, de Los Angeles, vai contar a histria da formao das 12 tribos de Israel em um formato que deve seguir o teor blico de Game of Thrones, srie da HBO.

COROAO - Sergio Marone na pele de Ramss, que acaba de assumir o trono do Egito na nova etapa da novela "Os Dez Mandamentos"

 Quero mostrar as muitas disputas deflagradas na Terra Prometida, sobretudo depois da morte do Rei Davi, diz a roteirista Vivian de Oliveira, autora da novela da Record e da nova srie, ainda muito incipiente, nas suas palavras. A ideia de tratar das brigas por territrio  mote de Game of Thrones  veio do tempo em que a roteirista escrevia a minissrie Rei Davi, o primeiro grande gol de pblico da sequncia bblica do canal, exibida nos Estados Unidos pela Fox Mundo. O grau de violncia dessa guerra santa vai depender, segundo a autora, do horrio que as emissoras destinarem para a superproduo em dez captulos, que deve ir ao ar no comeo de 2017.

No deixa de ser curiosa a preferncia do pblico por histrias das quais se conhece o final a tramas que mudam o rumo de acordo com a reao do pblico, exato caso de Babilnia, a novela concorrente da Rede Globo. Creio que as pessoas esto cansadas da solido e do individualismo, diz a autora, ps-graduada em roteiros pela UCLA (University of California, Los Angeles) e frequentadora da congregao protestante Nova Igreja. Por isso, o pblico contemporneo tende a gostar das narrativas que trazem valores como a unio, a verdade e o amor, temas que so eternos.  isso que mostramos em nosso trabalho, diz ela.

Concesses histricas so uma das estratgias da roteirista, que prefere chamar de licenas poticas as transformaes do texto original. A tenso sexual entre Zpora e Moiss na novela das oito obviamente no veio de nenhum texto bblico  o folhetim  baseado nos livros xodo, Levtico, Nmeros e Deuteronmio. Assim como a descrio do prostbulo Casa de Senet, cenrio de luxria e diverso na novela que narra mais de cem anos de histria. As egpcias se prostituam mais comumente nas margens do rio Nilo. Mas a autora precisava de um ponto de encontro para personagens de ncleos diferentes da trama. Outra adaptao importante dos originais, que esto se tornando uma marca da escrita de Vivian,  o aumento das aes e falas das mulheres. A amargura que levou Micau, primeira mulher do protagonista de Rei Davi,  loucura foi uma criao sua. Mas  algo que poderia ter acontecido, diz.

Hoje me sinto muito segura, inclusive para questionar alguns freios dos historiadores, afirma ela, que tem assessoria dos pesquisadores Maurcio Santos e Mrcio Santana, especialistas, respectivamente, no povo hebreu e egpcio.

Outro trunfo inegvel de Os Dez Mandamentos tambm no se encontra nas escrituras: o casting. Ao contrrio do que aconteceu com a ltima verso da saga de Moiss em Holywood no ano passado, ningum no Brasil questionou a diferena fsica dos atores com o povo egpcio ou hebreu. Pelo contrrio, os atores Guilherme Winter e Sergio Marone tm feito um sucesso imenso como os quase irmos que todos sabem que sero inimigos. No dia 12 de junho, uma das enquetes mais divertidas dos site da emissora perguntava qual dos personagens o pblico preferia como namorado: o sedutor Ramss ou o responsvel Moiss. 


10#2 CINEMA - A INVASO DOS TRAILERS
As prvias de filmes ganham status e audincia de estreias cinematogrficas, criando um mercado paralelo que s aumenta com o consumo de entretenimento na internet
Elaine Guerini, de Los Angeles

Nos ltimos dias, Matt Damon dividiu a angstia que o seu personagem enfrenta em Perdidos em Marte com pelo menos 10 milhes de pessoas. O novo filme de Ridley Scott s estria em novembro, mas, em uma semana no ar, o trailer de trs minutos juntou pblico equivalente a um final de semana de estreia no cinema. Star Wars: Episdio VII  O Despertar da Fora tambm demora a chegar s telas  o lanamento est previsto para dezembro. Entretanto, sua trama  assunto entre os mais de 100 milhes de fs desde novembro de 2014, quando foi lanado na internet o primeiro teaser da nova trilogia da saga criada por George Lucas nos anos 1970. O barulho alcanado pela liberao desses vdeos curtos, propagandas de lanamentos de Hollywood, fez da sua produo um mercado cinematogrfico paralelo. Hoje, os trailers tm estdios especializados, tramas prprias, oramentos independentes e at um prmio voltado apenas para o subgnero que dificilmente ultrapassa 120 segundos de durao, o Golden Trailer Awards (GTA).

EM RBITA - Matt Damon, como o astronauta Mark Watney, no vdeo que antecipa "Perdidos em Marte", o novo filme de Ridley Scott

Quando deixou de estar restrito s salas de cinema ou  programao da tev e passou a ser veiculado pela internet, o trailer se tornou a principal ferramenta de marketing para os lanamentos, disse Evelyn Watters, diretora executiva do GTA.

O que se espera de um trailer hoje  que ele faa um barulho instantneo, afirmou Sohini Sengupta, produtor da Mark Woollen & Associates, de Los Angeles, empresa responsvel pelo primeiro vdeo promocional de 50 Tons de Cinza, o campeo de visualizaes de 2014, com 93 milhes de cliques. O maior desafio ali foi encontrar uma maneira de falar com os fs do livro e com os espectadores que nunca tinham ouvido falar dele. Algum duvida que deu certo?

Ao contratar uma produtora de trailers, o estdio geralmente informa o que quer. O comercial ainda depende de cenas prontas do filme. Mas nem sempre  assim. s vezes, tudo o que temos  o roteiro como inspirao, disse James Gray, diretor criativo da Zealot, com escritrios em Los Angeles, Nova York, Londres e Sydney e responsvel por trailers de filmes premiados como O Discurso do Rei. A maneira como consumimos essas peas publicitrias mudou. E, com isso, aumentou muito a presso sobre o nosso trabalho, com o vdeo sendo avaliado e comentado a partir do seu lanamento online. Hoje o feedback  imediato e mundial.

Segundo Gray, as casas de trailers precisam se cercar cada vez mais de medidas de segurana. Principalmente depois do vazamento do primeiro trailer de Batman vs Superman: A Origem da Justia, em abril  quando uma verso de baixa qualidade, provavelmente gravada com celular, caiu na internet. Ainda que o vazamento coloque o filme em evidncia, o material exibido dificilmente ter imagem e som adequados, afirmou Gray, produtor do trailer O Jogo da Imitao, vencedor do GTA na categoria drama estrangeiro, em maio ltimo. Evelyn Watters no concorda. Quando o pblico fala de um vazamento de trailer, isso inevitavelmente aumenta a expectativa em torno do filme. No existe m publicidade nesse caso, disse ela, lembrando que o teaser oficial Batman vs Superman j ultrapassou 40 milhes de visualizaes de pessoas que certamente estaro nas filas das salas de estria do blockbuster, prevista para maro do ano que vem.


10#3 EM CARTAZ  CINEMA - RETORNO IMPOSSVEL
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

 Retorno a taca circulou pelos principais festivais de cinema no ano passado, antes do fim do embargo americano  Cuba, portanto. Mas o filme de Laurent Cantet no ficou desatualizado. O foco do cineasta, vencedor de uma Palma de Ouro por Entre os Muros da Escola,  quase todo sobre as experincias pessoais e afetivas de ex-integrantes de um grupo musical de Havana que se encontra depois de muitos anos. Entre os personagens, h a mdica que no consegue sustentar os filhos e o culpado por ter deixado o pas em busca de uma alternativa ao regime castrista. Mas o filme  mais sobre a beleza que se esconde em perdas irreversveis, como a juventude, do que a respeito de uma desiluso poltica. Cantet, como bom representante do cinema francs, sabe bem como extrair contedos particulares de contornos coletivos.

+5 50 filmes rodados em Cuba
BUENA VISTA SOCIAL CLUB
 Documentrio de Wim Wenders sobre o grupo musical cubano

HAVANA
 Longa sobre romance entre um jogador de pquer americano e uma ativista pr-revoluo

MORANGO E CHOCOLATE
 Primeiro filme de Cuba indicado ao Oscar. De Juan Carlos Tabo e Toms Gutirrez Alea

7 DIAS EM HAVANA
 Curtas de 15 minutos realizados por sete cineastas, como Bencio Del Toro e Gaspar No

A CIDADE PERDIDA
 De Andy Garcia, mostra a vida alienada e luxuosa da burguesia de Havana, s vsperas da queda de Fulgencio Batista


10#4 EM CARTAZ  LIVROS - MARTIN AMIS EM AUSCHWITZ
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Dois anos depois do timo e muito bem-humorado Lionel Asbo, o escritor britnico Martin Amis volta s vitrines das livrarias com outra fico, que tem l seu humor, mas sobre um pano de fundo mais distante da sua realidade que os subrbios londrinos. A zona de Interesse como o nome adianta, se passa no setor de triagem do campo de concentrao de Auschwitz, na Polnia, em agosto de 1942. Algozes e prisioneiros traidores narram veloz e friamente a degradao moral e psicolgica a que alguns se entregam em situaes-limite. Amis dedica o livro aos inumerveis judeus, meio judeus e  judeus de seu passado e presente.


10#5 EM CARTAZ  MSICA - TEMPORADA LRICA
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

A Sala So Paulo recebe em toda a segunda quinzena de junho solistas e regentes de pases diferentes no festival que homenageia o compositor dinamarqus Carl Nielsen, o alemo Richard Strauss e o francs Maurice Ravel. Os cantores  Gun-Brit Barkmin (soprano), Denise de Freitas (mezzo soprano) e Stig Andersen (tenor) se apresentam em concertos fechados e apresentaes abertas, como a que ocorre no domingo 21. Na quinta-feira 25 a Osesp abre as portas para o pblico para seu ensaio aberto.


10#6 EM CARTAZ  CD - OS 70 ANOS DE IVAN LINS
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

To controverso como constante na cultura musical nacional, Ivan Lins faz 70 anos  45 de carreira  este ms. O msico acaba de lanar um novo disco com regravaes e canes inditas compostas com seu parceiro de vida toda, o letrista Vitor Martins, Amrica, Brasil, pela Sony. Mas a homenagem da Kuarup ao compositor de Vieste e Somos Todos Iguais esta Noite  mais interessante para quem gosta de ouvir msicas que lembram momentos. O selo relana Modo Livre, de 1974, e Chama Acesa, do ano seguinte, alguns dos primeiros discos do cantor que provavelmente mais embalou protagonistas de novela na televiso brasileira.


10#7 EM CARTAZ  DVD - OS SEGREDOS DO CONTATO
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Diante de suas folhas de contato, 12 grandes fotgrafos que trabalharam para a agncia francesa Magnum discutem seus mtodos de trabalho como quem organiza um livro de memrias ou retorna ao acontecimento fotografado com a ajuda desses blocos de notas visuais. O DVD que o Instituto Moreira Salles lana este ms rene os maiores nomes do fotojornalismo do mundo, como Henri Cartier-Bresson, William Klein, Raymond Depardon, Josef Koudelka, Robert Doisneau, Edouard Boubat. Os dois prximos volumes trataro da Renovao da fotografia contempornea (Contatos 2, com previso de lanamento paraagosto) e da fotografia conceitual (Contatos 3, previso de lanamento para outubro).


10#8 EM CARTAZ  AGENDA - OCUPAO/LISBELA/VERBO
Confira os destaques da semana
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Ocupao Villanova Artigas
 (No Ita Cultural, em So Paulo, at 9/8)
Exposio sobre o importante arquiteto paulista que mudou a maneira de o brasileiro de morar

Lisbela e o Prisioneiro
 (Teatro APCD, em So Paulo, at 27/6)
Espetculo musical inspirado no texto do escritor pernambucano Osman Lins

Verbo
 (Galeria Vermelho, em So Paulo, at 11/7)
Mostra coletiva de artistas performticos brasileiros e internacionais
_____________________________________


11# A SEMANA 24.6.15

por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz 

"PEDRADA DO PRECONCEITO"
Neta de esprita e filha de evanglica, a estudante Kayllane Campos tem em sua casa uma amostra da saudvel tolerncia religiosa que existe no Rio de Janeiro, desde que o candombl, vindo da frica, ancorou no bairro carioca da Sade em 1886 e nele abrigou os primeiros cultos organizados por Me Aninha, congregando diversas religies. Nada tem a ver com a tradio do Rio de Janeiro, portanto, as covardes agresses que a adolescente Kayllane, 11 anos de idade, sofreu na semana passada devido  sua f. Ela foi apedrejada por dois supostos evanglicos quando saa de um culto de candombl, e novamente se tornou vtima de violncia, dessa vez verbal, quando chegava ao IML para exame de corpo de delito  macumbeira, macumbeira, v queimar no inferno, gritavam insistentemente algumas pessoas. Quem tacou pedra  vndalo que se esconde atrs da palavra de Cristo, diz Karina Coelho, a evanglica que  me da praticante do candombl Kayllane. Eu condeno as pessoas que feriram minha filha.


"COMISSO DA CMARA D PRIMEIRO PASSO PARA REDUZIR A MAIORIDADE PENAL"
Com 21 votos a favor e 6 contrrios, foi aprovada pela Comisso Especial da Cmara dos Deputados, na quarta-feira 17, a Proposta de Emenda  Constituio (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos  segue agora para votao em plenrio (na tera-feira 30). Se for aceita (precisa de 308 votos), ela fica valendo para: 
- Crimes hediondos (trfico de drogas, latrocnio, homicdio qualificado e extorso mediante sequestro, para citar quatro delitos)
- Homicdio doloso (intencional) e roubo qualificado (dois ladres contra uma senhora, por exemplo. O roubo sempre pressupe que o ladro esteja armado) 
- Leso corporal grave e leso corporal seguida de morte
Atualmente o Estatuto da Criana e do Adolescente fixa em 36 meses o tempo mximo de internao do menor infrator. Se a reduo da maioridade for acatada pelo plenrio, as penas para maiores de 16 anos que cometerem os crimes acima destacados sero idnticas s que j so aplicadas atualmente a quem tem mais de 18.


"GOVERNO APOSTA NA INICIATIVA PRIVADA"
Para um partido que criticava toda e qualquer privatizao enquanto esteve fora do poder, o PT mudou radicalmente de opinio agora que est no Planalto  e aposta justamente nas privatizaes. A partir do ms que vem a explorao dos servios das loterias sero paulatinamente transferidos para a iniciativa privada (a Caixa continuar como dona do negcio). O primeiro jogo para o qual ser aberta licitao  a raspadinha. Tudo isso, segundo o prprio governo,  para ajudar no processo de recuperao do equilbrio das contas pblicas. O Brasil tem dez loterias que juntas arrecadam anualmente cerca de R$ 11 bilhes. 
GASTO PER CAPITA ANUAL COM LOTERIAS (EM US$)
1) Cingapura: 926
2) Itlia: 568
3) Espanha: 294
4) Sua: 272
5) Frana: 248
12) Brasil: 26


"541%"
541%  quanto aumentou no perodo de 1 ano a importao de smen estrangeiro por casais brasileiros  sobretudo com a finalidade de tratamento de reproduo assistida. A maior parte das importaes chegam dos EUA. Os dados so da Anvisa.


"JUQUINHA MUDA DE MOS"
No sofisticado e milionrio universo dos negcios, a marca de uma bala extremamente popular, vendida a dez centavos a unidade, tornou-se notcia em todo o Brasil na semana passada: Juquinha. Ela foi criada em 1945, conquistou o mercado (principalmente no sabor tutti-frutti), e mesmo quem no consome esse tipo de produto entrou em contato com ela quando a Juquinha cumpriu a funo de moeda como troco mido no comrcio. Agora foi anunciada a venda da marca e de sua frmula deixam de pertencer ao empresrio Giulio Sofi o (a fbrica que operava havia 28 anos em Santo Andr, na regio do ABC Paulista, foi fechada em abril) e vo para as mos do tambm empresrio Antonio Tanque. E a estampa do menino loiro, ou seja, o Juquinha, ser modernizada. O valor do negcio no foi revelado. Cerca de 600 toneladas de bala chegaram a ser mensalmente vendidas.


"O OLHAR DE NEYMAR"
Todas as vezes que a televiso dava close de Neymar no jogo em que a seleo brasileira perdeu para a Colmbia por uma a zero, na quarta-feira 17, o que se via no era o rosto de sempre  humilde e concentrado. Ao contrrio, o olhar de Neymar era de profunda irritao  raiva at. Ainda em campo aps o final do jogo, agrediu um colombiano e levou carto vermelho. Dvida alguma de que emocionalmente estava abalado (jogou pessimamente). E dvida alguma tambm de que a causa do abalo  o processo que a Justia da Espanha abriu contra ele na semana passada por estelionato de contrato simulado e corrupo privada em sua ida para o Barcelona


"7 DE ABRIL DE 1928: DE MRIO PARA MANU"
Foi revelado na quinta-feira 18 o contedo da nica carta de Mrio de Andrade que ainda no fora aberta a pesquisadores  e nela o escritor faz referncia  sua homossexualidade. A carta  datada de 7 de abril de 1928 (seis anos aps a Semana de Arte Moderna), seu destinatrio  o poeta Manuel Bandeira e est arquivada na Fundao Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. 
Trecho da carta: Est claro que eu nunca falei a voc sobre o que se fala de mim e no desminto. Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria para ns ambos, para voc, ou para mim, comentarmos e eu elucidar voc sobre minha to falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar um muito de exagero que h nessas contnuas conversas sociais no adiantava nada pra voc que no  indivduo de intrigas sociais.


"POR US$ 5 MIL DIRIOS, MANSO DE AL CAPONE PODE SER CENRIO DE FILME"
H cerca de 70 anos morreu um dos mais famosos gngsteres dos EUA: Alphonsus Capone (que entrou para a histria como Al Capone). Agora, a manso em que ele passou os ltimos anos de sua vida servir de cenrio para gravaes de filmes, desde que o interessado pague aluguel dirio de US$ 5 mil. A casa passou por reformas que custaram US$ 2 milhes e sua nova proprietria  a empresa de investidores imobilirios MB Amrica. A manso fi ca em Miami Beach, na Flrida.


"MANTIDA DOAO DE EMPRESAS A CAMPANHAS"
Fica valendo, pelo menos por enquanto, as doaes de empresas s campanhas eleitorais. Na tera feira 16 a ministra do STF Rosa Weber negou em liminar o recurso de 61 deputados que queriam anular na Justia a aprovao pela Cmara da PEC que permite essa tipo de doao. Ela foi aceita no dia 27 de maio. Ocorre, no entanto, que na vspera uma emenda similar fora derrubada pelo plenrio. Os deputados que recorreram ao STF argumentam que pela Constituio o tema s poderia voltar  pauta dentro de um ano.


"O BRASIL PERDE UM DE SEUS MAIORES EMPREENDEDORES"
No incio da dcada de 1970 o centro-oeste brasileiro ainda no era uma grande frente agrcola. Um empresrio paulista decidiu no entanto plantar soja na regio. Seu nome: Olacyr de Moraes. A partir desse momento, ele tornou-se controlador de um patrimnio que chegou a US$ 1,2 bilho. Mas a sorte nos anos 1990 acabaria no lhe sendo madrinha: ao investir na construo da ferrovia Ferronorte veio a derrocada, e um dos primeiros sinais foi a venda de seu banco, o Itamarati, para amortizar a dvida de R$ 1,4 bilho. J separado de sua mulher, Edna Moraes, o empresrio tornou-se um assduo frequentador da noite e das colunas sociais, ao lado de belas mulheres. Em abril do ano passado, Olacyr viu-se envolvido num trgico episdio quando seu motorista e amigo, Miguel Ferreira, foi acusado de ter assassinado o ex-senador boliviano Andrs Gusman que estaria extorquindo Olacyr. O Rei da Soja morreu na tera-feira 16 em So Paulo, aos 84 anos, de cncer.


"O GIGANTE ANDOU"
O Monte Everest, a maior montanha do planeta, sofreu deslocamento de trs centmetros para sudoeste, nos ltimos dois meses, no Nepal. A informao foi dada na quarta-feira 17 pelo Instituto de Topografia e Geologia de Pequim. Credita-se tal fenmeno geolgico ao terremoto de magnitude 7,8 que abalou o pas em abril.


"O VOLANTE QUE ENQUADRAVA PEL"
 Ele funcionou como um pai para mim, tornou-se mentor e amigo. Essa foi a mensagem colocada no Twitter por Pel, que est nos EUA, para homenagear o volante Zito, bicampeo mundial pelo Santos e pela seleo brasileira (1958 e 1962)  ele se chamava Jos Ely de Miranda, morreu de insuficincia respiratria no domingo 14, aos 82 anos de idade. Zito foi o maior lder dentro do campo que o futebol brasileiro j teve, e prova disso  que, alm de pai e mentor, foi tambm o nico colega de time a dar em Pel homricas broncas como se estivesse chamando a ateno de um perna de pau. Certa vez, o centroavante Coutinho, que parecia se comunicar telepaticamente com Pel tal a evoluo das tabelas, no enxergou um lance. O rei desancou, Zito chegou junto:  Pel, s voc enxerga essas coisas, mais ningum. Em outra ocasio, Pel parecia um pouco distrado, e novamente Zito o enquadrou: t a fim de jogar, joga; se no t, sai. Zito nasceu na cidade paulista de Roseira e morreu em Santos.  


"US$ 2,6 BILHES"
US$ 2,6 bilhes  quanto a Embraer ganhou com a venda de 103 jatos na segunda-feira 15, na abertura da feira Paris Air Show Internacional.

